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Desafios da Cidadania

Vivemos um momento triste da história do país.

De um lado, as denúncias de corrupção que atingem de forma quase absoluta os nossos Partidos políticos (dos de maior expressão, todos), fato que gerou uma crise política, explorada de forma parcial pela mídia e por setores da oposição. Ao mesmo tempo quereverbera e atrapalha na condução da economia, que enfrenta seu pior momento, não apenas no país, mas no mundo, principalmente após mais um período de retração na economia da China.

Certamente, após esse parágrafo inicial, no qual não defendo impunidade, ainda assim, serei acusado de fazê-lo. Paciência, nas provas de interpretação de texto isto será muito doloroso.

Do outro lado, exatamente (mais) por conta da forma parcial acima citada, vemos diariamente grassar oódio e o fascismo nos “corações”. Se a violência “fascina”, o ódio parece que inebria. Certamente cega.

É uma sucessão de ofensas, muitas vezes criminosas, repetidas constantemente  em  protestos “a favor do país”, como é possível querer algo melhor pra coletividade sem sequer conseguir respeitar a pessoa ao lado? Só  Samuel Johnson pra explicar.

Recordando das rotinas nas redes sociais,de imediato, veio a tona a intolerância que permeia boa parte de tais interações: Intolerância, marcada pelo(advinhem), ódio! Ódio esse bem caracterizador do fascismo que citei. Parece exagero?

Não é mesmo, nos anos 30, a ascensão do nazismo deu-se apoiada, inclusive, no cultivo ao ódio político. A não tão famosa SA, erao braço armado do Partido Nazista/Nacional Socialista de Hitler, que foi encarregada de destruir, literalmente, a sua oposição. Dentre os primeiros enviados aos campos de concentração, estavam presos (opositores) políticos.

Enfim, seja nas redes sociais ou nas manifestações de rua, já tornou-se comum ler frases com ofensas pessoais e/ou ameaças de morte, desejo de morte e tudo mais que for possível, com o maior desrespeito possível ao outro que pensa de modo diverso. Mais grave ainda, é quando se vê isso abertamente contra um chefe de governo, como frequentemente vem ocorrendo por aqui.

No caso, chega a ser engraçado, exatamente pela falta de senso, vir um brasileiro enaltecer os EUA ao mesmo tempo  que xinga a presidente. É “nonsense”, pois se ele arriscar-se a fazer algo semelhante nos EUA que tanto admira, certamente será preso sumariamente e na prisão ficará um bom período. Se somarmos ao fato que esses perfis normalmente são defensores do “bandido bom bandido morto”ai é que a coisa fica ainda mais se nexo.

Afinal, nesse contexto é de imaginar que, havendo coerência entre as idéias contraditórias, no dia em que se revoltar e decidirxingar Obama, o fará  em um dos 36 Estados americanos que possuem pena de morte, sendo o preferencial o Utah, onde há execução da pena é por fuzilamento… (pois no Brasil, em sua maioria, “os bandidos bons”  morrem de “bala”).

Voltando ao bom senso, é triste testemunhar diuturnamente pessoas (que se dizem) de bem ofendendo e desejando o mal ao semelhante. Parece que estamos em um processo de ruptura do chamado pacto civilizatório. Ruptura essa que atinge de morte a democracia.

Ora, se temos um governo eleito pela maioria do voto popular, não é respeitoso à democracia a outra parte querer simplesmente derrubá-lo por não ter sido o seu preferido, como dizo filósofo Paulo Ghiraldeli, “eu não votei na Dilma, eu não gosto dela, então eu vou bater panela que nem criancinha, ah eu não gosto de você, eu não vou  te escutar, boto as mãos nos ouvidos”. A democracia eo Estado de Direito exige respeito às regras e a sociedade é o todo da população, não há como dividi-la em quem votou no vencedor e quem não votou, se há insatisfação com o governo, que se vá às ruas cobrar as melhorias necessárias é assim a regra do jogo e que deve ser respeitada. Já a hora da mudança, essa, é na eleição.

É uma pena isso, pois demonstra a ausência de raciocínio elementar: se hoje uma parte reclama e crê ser possível derrubar um governo, será que amanhã a outra parte da sociedade não poderá fazer o mesmo? E isso teria o condão de criar uma instabilidade de consequências imprevisíveis como, por exemplo, uma guerra civil. É esse o grau de civilização do brasileiro, em pleno 2015?

O Brasil em direção à uma nova idade média?

Se bem observarmos, as condutas descritas, culminantes no total desprezo à democracia em nome do desejo pessoal, obtuso e sem fundamento, é simplesmente a escolha do “Eu” contrao “Nós”, bem explicado por Fernando Shwarz:

“Uma nova idade média surge quando o modo de funcionamento natural da espécie, o inato, predomina sobreo lado cultural, elaborado e transmitido ao longo séculos. São períodos em que as sociedades mostram-se incapazes de transmitir e de recriar valores e o saber cultural que fundaram a sua identidade”

Se imaginarmos que todos os animais trazem em si o componente “inato”, mas que somenteo homem é capaz de produzir “cultura”, eis ai quão grave o problema.

Por isso, parece que vivemos um momento triste na história do país.

Pois, ao que nos parece, é mais fácil superar uma crise econômica que uma crise democrática e/oude cidadania.

PS: A SA, após promover todoo ódio e destruição que Hitler necessitava, terminando o trabalho,  foi simplesmente eliminada a mando do próprio Hitler, na chamada “Noite dos longos punhais”.

 Eduardo Rocha é Capitão PM Bacharel em Segurança Pública (textos anteriores disponíveis em omologato.wordpress.com)

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