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Eli Wallach, a febre do ouro e o brasileiro mediocrizado

* Marcelo Rocha

Há tempos chamava atenção a respeito do “debate” maniqueísta. Sobre o empobrecimento argumentativo como uma sua consequência.

Parece que o maniqueísmo venceu.

No filme “Três homens em conflito” (ou “O bom, o feio e o mau”), de Sérgio Leone, que dispensa apresentações, há uma cena, já no quartil final, que a personagem de Eli Wallach – minhas reverências ao já falecido grande ator – se deslumbra e descontrola ao chegar no cemitério, onde estava escondido o ouro.

Trata-se de uma das cenas mais bem feitas que assisti, excepcionalmente bem filmada e coroada com a fantástica trilha de Ennio Morricone. Fantástica!

Não por acaso, o tema musical da cena foi chamado de “O êxtase do ouro”, o êxtase que que Tuco (o feio, Eli Wallach) sente ao saber-se perto da fortuna em moedas de ouro.

Pois bem.

O ódio aos políticos nos últimos anos estabeleceu uma cruzada idiotizante contra tudo e todos. O ódio viceja com força, num campo fértil de debate maniqueísta, por isso vazio.

Somente o ódio explica que pessoas ouçam as opiniões, sobre educação ou bons modos infantis, de tipos como Alexandre Frota ou as opiniões politicas de jovens mal saídos da adolescência como se ouvissem Maquiaivel ou John Rawls

O fruto disso são pessoas arrotando conhecimento sobre áreas que não fazem a menor ideia de como funcionam e, por isso, ao serem questionados em sus próprias “opiniões”, passam para a pura e gratuita agressão, quando percebem não terem respostas.

O outro caminho, dos cegos que creem enxergar a mosca venuziana, é postar memes com ares professorais. E o fazem, pra variar, sem o menor critério, desde a absoluta falta do ridículo, até a ofensa a outras pessoas, gratuitamente. Tudo isso para não perderem a razão. Vaidade!

Um dos mais recentes exemplos desse agir mediocrizado, foi um meme criticando Fátima Bernades, por não haver, em uma suposta imagem de uma festa íntima, nenhum travesti, como se ela, por defensora da diversidade, um valor referente ao convívio civilizatório, devesse “andar com um travesti a tiracolo”.

A mediocridade mesclada com a arrogância, impede o ser de realizar conexões mentais – raciocínios – básicos, permitindo que exponham preconceito e ignorância ao nivel de uma overdose, pois na mente deturpada pelo ódio e corroída pela mediocridade, defender o direito a diversidade não está relacionado a respeito ao próximo.

Somente consigo lembrar de Tuco correndo alucinado por entre covas do cemitério de guerra do filme, sem mais conseguir pensar em nada a não ser no ouro. “The Ecstasy of gold”

E por isso mesmo ele acaba com uma corda no pescoço.

E no filme, com a corda no pescoço, sua última frase é: “Blondie, eres un gran hijo de puta!”

* Marcelo Rocha é capitão da Polícia Militar de Sergipe.

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