

Imagine como seria viajar pelo sertão mineiro, e por uma parte do sertão baiano, em busca de lugares visitados ou citados pelo escritor mineiro João Guimarães Rosa. Isso foi o que experimentou a jornalista sergipana Sylvia Leite, autora do livro No Rastro de Rosa, que terá seu primeiro lançamento em Aracaju, no dia 15 de junho, às 17h30, na Livraria Escariz da Avenida Jorge Amado.
Entre 2018 e 2025, Sylvia fez sete viagens, nas quais visitou cidades, povoados, uma gruta, uma fazenda e um parque. O resultado está impresso no livro por meio de vinte e quatro reportagens sobre lugares relacionados à obra do escritor. E esse livro vem a público justo no momento em que as obras “Grande Sertão: Veredas” e “Corpo de Baile” completam 70 anos.
Além de localizar elementos que podem ter respaldado o escritor na criação de cenários geográficos e culturais, a autora procurou ouvir relatos sobre figuras da região que inspiraram personagens ficcionais. Buscou, ainda, apresentar cada um desses lugares, focalizando, também, seus traços históricos e culturais, mesmo aqueles que não estabelecem qualquer relação com o universo rosiano.
Brasil profundo
Para Sylvia, uma das grandes surpresas dessas viagens foi descobrir que, além das referências literárias, as pequenas localidades visitadas têm muito a ser visto tanto por leitores rosianos, como por viajantes interessados em conhecer o chamado Brasil profundo.
Em todas as viagens, ela contou com a companhia de leitores da obra de Guimarães Rosa, o que, em seu entendimento, enriqueceu bastante a coleta de informações. Contou, ainda, com a ajuda de historiadores e outros estudiosos: “isso sem falar na fundamental colaboração dos moradores do sertão”.
Como encontrou bordadeiras na maioria dos lugares visitados, acabou percebendo que, ao lado dos poetas, um ou outro jornalista e escassos historiadores, elas são as escritoras do sertão, pois com suas linhas e cores registram, continuamente, o dia a dia de suas comunidades. E foi Maria Roseclay Almeida – bordadeira de Serra das Araras, no Noroeste de Minas – que ilustrou com linhas e cores a capa e o miolo do livro, a partir dos desenhos da artista plástica Maria Andrade.