Clima de rebelião em São Cristóvão
22 de agosto de 2015
Sergipe oferece grande variedade em arte e cultura
23 de agosto de 2015
Exibir tudo

Lagarto deve produzir 700 toneladas de pimenta

Os agricultores de Lagarto estão satisfeitos com o cultivo de pimenta, vendida em sua maior parte para a empresa Maratá. No primeiro semestre deste ano, somente nos 80 há do Perímetro Irrigado Piauí foi produzida quase meia tonelada de pimenta. Segundo a Assessoria de Comunicação da Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), a estimativa é de que agora no segundo semestre a produção seja extremamente maior, por ser o período sem chuvas e porque o calor, somado a irrigação, favorece a produtividade. A previsão é se produzir este ano no apenas no perímetro cerca de 700 toneladas.

Administradora do perímetro, a Cohidro tem papel fundamental nesse processo, pois é quem fornece a irrigação, único meio para o cultivo dessas espécies vegetais em escala industrial. São cerca de 200 produtores de pimenta, todos com lotes no Perímetro Irrigado Piauí. Além de prover aos irrigantes a água de forma gratuita, a companhia estatal orienta o agricultor com a assistência técnica. Na área são produzidas as variedades Malagueta, Jalapeño, Habanero e Biquinho.

Produtor rural atendido pelo perímetro Piauí, Gidelson Gonçalves dos Santos, explica que a pimenta ‘biquinho’ é utilizada pela indústria para envasamento e venda em forma de conserva. “Após a florada, vem a primeira brotação, essa produz os melhores frutos e que são diretamente vendidos para a Indústria Marata”, diz o agricultor.

William Domingos Silva, técnico agrícola do perímetro Piauí, acompanha de perto o desenvolvimento da nova variedade em Lagarto e se esforça para transmitir aos irrigantes o método de manejo da ‘biquinho’. “São duas safras anuais, compreendendo as duas brotações cada uma. Após a colheita da segunda florada, um mês depois da primeira, os pés de pimenta são eliminados e ocorre um novo plantio. Depois de três meses, vem então a primeira floração do novo pé, reiniciando o processo”, explica.

A pimenta biquinho ganhou notoriedade na mesa do brasileiro rapidamente pela baixa ardência, sabor e aroma peculiares, sendo consumida em saladas ou sozinha, como aperitivo. “Essa pimenta não serve para colheita no inverno, pois com a chuva ela fermenta e racha, fazendo a indústria perder interesse. Não é todo mundo que se dá bem com seu cultivo, tem quem perca toda a produção por não prestar atenção nesses detalhes”, esclarece o agricultor Gidelson Gonçalves. No primeiro semestre, o Perímetro Piauí produziu 117.075 quilos da Biquinho, rendendo aos agricultores R$ 585.375,00.

Malagueta e Jalapeño

Com uma área colhida de 13,30 hectares no primeiro semestre deste ano, a pimenta malagueta ainda responde pela maior área plantada em Lagarto, principalmente pelo interesse que a Indústria Maratá tem pelo produto para produção de molhos. A produtividade da malagueta pelos irrigantes do Piauí foi de 195.140 quilos, rendendo aos produtores do perímetro quase R$ 1,2 milhão.

Já a variedade jalapeño, ou jalapenho, é utilizada pela indústria Maratá em Lagarto como complemento de polpa para o molho picante da malagueta, mas no México, de onde se origina, é bastante apreciada em vários pratos da culinária típica. No perímetro Piauí, no primeiro semestre de 2015, foram colhidos 149.050 quilos, que renderam aos agricultores quase R$ 300 mil.

Além de abastecer a indústria Maratá, Lagarto exporta pimenta para a Bahia, Alagoas, Minas Gerais e São Paulo. Em Sergipe existem pequenas empresas que compram parte da produção. Os preços são varáveis. O quilo da Malagueta está sendo vendido por R$ 6,00; Jalapeño R$ 2,00; Habanero R$ 4,20 e a Biquinho R$ 6,00. O grande problema dos produtores é a falta de mão de obra, cada vez mais difícil na Região. Outro problema é a escassez de crédito.

Por Adiberto de Souza (publicado no Caderno Mercado do Jornal da Cidade)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *