Flor do recesso
18 de janeiro de 2016
Curso de reciclagem do Detran passa a exigir biometria
18 de janeiro de 2016
Exibir tudo

Do homem que deu errado, seus erros e o preço a pagar: Chico Buarque

Por Marcelo Rocha *

Chico Buarque, semana que passou, foi vítima de agressões. Isso é fato incontestável. Talvez a posição de alguns, que dizem da atitude daqueles jovens bem nascidos, fascistas, esteja errada. Certamente, no mundo de hoje, com todos os avanços tecnológicos na área de saúde, uma pessoa de 71 anos não possa ser vista tão frágil quanto há 30 anos atrás. Talvez.

O que mais importa nesse momento, é demonstrar o maior defeito que se percebe em Chico Buarque, que, ante a polêmica recente, vem sendo defendido por muitos e atacado por outros.

Dispensemos aquelas teorias freudianas que explicam a necessidade que algumas pessoas possuem de – “com o tempo” – tentar destruir aqueles a quem admira ou aqueles a quem percebem superior. Acho totalmente desnecessário, assim como o é – para outros – fundamental “aparecer na mídia” atacando reputações de pessoas públicas.

Seria, como dizem, uma forma de trazer a si os holofotes.

Absoluta perda de tempo!

Pois bem, o Sr. Francisco Buarque de Hollanda é um absoluto fracasso!

A polêmica agressão que sofreu deixou isso bem claro.

Ora, filho de uma já distinta família, tendo seu patriarca sido renomado intelectual brasileiro, certamente não lhe caberia optar pelo secundário caminho das artes. Ora, não tivesse abandonado a politécnica e formado-se Arquiteto, certamente teria construído uma brilhante carreira, que poderia lhe permitir amealhar riquezas que lhe dispensariam até a herança familiar. Se quisesse!

Ora, se quisesse! Mas o moço de famosos olhos azuis preferiu seguir o caminho da música. Optou ser artista. Não se contentou e, de letras e melodias, também passou à dramaturgia teatrais. De poeta, tornou-se um romancista, também. Musicou até filmes.

Pior, virou quase uma unanimidade e é considerado um patrimônio vivo da cultura brasileira. (Perdão, não vi, nesta frase, onde disse que ele era um santo, perfeito ou infalível, ok?)

Coitado de Antonio Cândido, que um dia disse “Louvemos Chico Buarque”.

(Ter-lhe-ia sido mais rebuscado escrever sua história com  ter-lhe-ia do que escreve-la com teria sido, mas se não optasse exatamente como o fez, sem dúvidas nunca teria sido.)

Optou, portanto, pelas meretrizes, pelos oprimidos, perseguidos e por todos os desvalidos. Com ternura e incisividade, perdeu seu tempo com a parcela mais fútil da sociedade. A que não importa. A que não tem cara.

Perdeu tempo defendendo convicções e por isso, sem dúvidas, perdeu diversas chances. Poderia ter seu especial de fim de ano há décadas… mas não! É por isso que algumas emissoras de televisão o ignoram simplesmente, como se não existisse.

Se aderisse ao “ufanismo” dos anos 70 ter-lhe-ia sido assegurado o papel de herói. Se não preferisse cantar músicas como “tanto mar”, não teria sido um “auto-exilado” na Itália.  Preferiu cantar “Geni e o zepelin” e “Vai passar” ao invés de cantar “Guerra dos Meninos”.

Coitado….

Por isso teve o que mereceu. Não restam mais dúvidas que não houve injustiça no ocorrido semana passada, em que pese os envolvidos, de uma forma ou de outra – seja através de vídeo postado por Álvaro pai, por exemplo – terem desculpados. Erraram em se desculpar.

Pois tudo isso é uma bobagem sem tamanho, nem deveria virar polêmica, pois certo que ninguém se revoltaria, caso se tivesse o seu pai, um idoso de 71 anos, cercado por 2 ou 3 jovens de pouco  mais de 20 anos, chamando-o de ladrão, bandido ou de merda. Uma besteira sem fim.

Afinal, esse tipo de situação já está se tornando algo bem comum, principalmente por parte das pessoas que adoram se dizer “de bem”.

Depois, ainda ficam falando em fascismo por ai. Absurdo!

P.S: Escrevi este texto ano passado, por ocasião da patética agressão fascista sofrida por Chico Buarque, em dezembro. Terminei por não publicá-lo, pois passados alguns dias, na velocidade da informação, ele tenderia a ficar datado.

Eis que, como o fascismo viceja vigoroso em nosso país, em parte devido ao irrestrito apoio da grande mídia que fomenta o ódio dia-a-dia, mais uma vez o  limite civilizatório foi destruído: o jornalista João Pedrosa, através do Instagram, ofendeu não apenas o cidadão, mas toda a sua família, dizendo sê-la uma “família de canalhas”.

Desse modo, parece oportuno publicá-lo.

Marcelo Rocha é capitão da Polícia Militar de Sergipe

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *