

Por Amâncio Cardoso*
Penso que poucos sergipanos conhecem a história dos saberes e práticas da medicina em Sergipe. Neste sentido, uma estimulante oportunidade é folhear e ler as páginas da 2ª edição, revista e ampliada, de História da Medicina em Sergipe, Aracaju: Criação Editora, 2026. 484 p., de autoria do médico sergipano Henrique Batista e Silva. 
O autor, dr. Henrique Batista, tem uma larga e profunda experiência no campo da medicina acadêmica. Formado em 1970 pela Faculdade de Ciências Médicas de Sergipe; com mestrado em cardiologia pela UFRJ, em 1978; especializado em Bioética pela Faculdade de Medicina do Porto (Portugal). Ele também foi professor adjunto da UFS (Universidade Federal de Sergipe), no Departamento de Medicina e Patologia, exercendo cargos de gestão na Universidade e no Poder Público, como também ensinou diversos componentes curriculares, dentre eles Introdução à História da Medicina.
Ademais, Henrique Batista foi, e ainda é, membro de várias instituições representativas no Estado, exercendo funções diretivas, tais como a presidência do Conselho Regional de Medicina de Sergipe (2004-2006) e a direção clínica do Hospital Universitário da UFS (2000-2004; só para ficar nesses dois exemplos.
Mas, certamente, foi como docente de Introdução à História da Medicina, entre 1993 e 2014 na UFS, que nosso médico e historiador rascunhou o plano para escrever uma História da Medicina em Sergipe no século XX, cuja 1ª edição ocorreu em 2007.
Quase vinte anos depois, dr. Henrique Batista nos presenteia com esta 2ª edição, objetivando entender e representar o evolver da arte médica acadêmica em Sergipe no século passado.
Essa nova edição é dividida em cinco capítulos. O primeiro, “Medicina, modernização e Saúde (século XX), comenta os aspectos gerais da disseminação da medicina científica no mundo, no Brasil e em Sergipe desde o final do XIX e as primeiras décadas do novecentos. O segundo, “Instituições hospitalares”, é o início da implementação e “modernização” das instituições de cura em Sergipe, sobretudo na década de 1920. O terceiro, “Associações Médicas”, apresenta a origem, organização e atuação de duas entidades associativas e representativas dos trabalhadores da medicina acadêmica, a SOMESE (Sociedade Médica de Sergipe) e SINDIMED (Sindicato dos Médicos de Sergipe). O quarto capítulo, “Conselhos de Medicina”, aborda as duas entidades normatizadoras e fiscalizadoras da prática e ética médicas no Estado; o Conselho Federal e o Conselho Regional de Medicina (CREMESE). Por fim, o quinto e último capítulo “Faculdade de Medicina de Sergipe” narra a origem, organização e consolidação do principal marco do ensino científico no Estado da arte de curar.
Os cinco capítulos são sustentados por documentos diversos mobilizados pelo autor, a exemplo de um rico acervo fotográfico dos médicos, das práticas e das instituições. Além das imagens, dr. Henrique compulsou textos e artigos em livros, revistas e jornais; além de atas, depoimentos e entrevistas. A estruturação narrativa desse conjunto documental deu corpo a um discurso que se esforçou em representar um passado mediatizado pela concepção, imaginação e memória do narrador/personagem dessa História da Medicina sergipense.
A linguagem da narrativa empreendida pelo autor é clara e objetiva. Ele, um médico de formação, como vimos, facilita nossa compreensão para inteligir sobre as transformações pelas quais passaram a prática médica em Sergipe ao longo do século XX. Salvo engano, o livro de Henrique Batista é obra pioneira sobre uma síntese deste período da medicina sergipana. Por conta disso, serve de caminho seguro para novos pesquisadores ampliarem e aprofundarem estudos sobre este campo da ciência no Estado.
História da Medicina em Sergipe não é uma obra apenas para os filhos de Esculápio. Ela serve a todos que desejem conhecer como se originou, se organizou e se consolidou a medicina científica sergipana e sua relação com os profissionais da saúde e a sociedade durante o século passado.
Neste sentido, o livro de dr. Henrique Batista e Silva, criador/criatura, narrador/personagem de uma história/memória da medicina em Sergipe, merece estar nas estantes de estudantes, de profissionais da saúde e de leitores em geral. Pois, qualquer pessoa/paciente que se interesse pela História da Ciência e Arte praticadas por profissionais que lutam pela vida irá se deleitar ao ler esse livro.
Viva a Ciência!
*Historiador-IFS