

Estudantes da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e da Universidade do Novo México (UNM), nos Estados Unidos, participaram de uma experiência de formação e intercâmbio promovida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Realizado entre os dias 1º e 10 deste mês, o Estágio de Vivência proporcionou uma imersão na realidade dos assentamentos da Reforma Agrária em Sergipe, aproximando os participantes das práticas produtivas, da organização comunitária e das experiências de resistência construídas nos territórios.
Ao todo, participaram da atividade 22 estudantes, sendo 16 da Universidade do Novo México e os demais da UFS. Durante a programação, os jovens foram acolhidos por famílias assentadas e distribuídos em diferentes comunidades rurais do estado para acompanhar o cotidiano das famílias, conhecer sistemas produtivos e participar de atividades formativas.
Produção de queijo
No assentamento Moacyr Wanderley (Quissamã), em Nossa Senhora do Socorro, os estudantes participaram de oficinas de produção de queijo artesanal, visitaram quintais produtivos de ervas medicinais, conheceram experiências de piscicultura e dialogaram com moradores sobre a história da comunidade. A programação também incluiu visitas ao assentamento Emília Maria, em São Cristóvão, e ao Centro Histórico do município, além de atividades de plantio de árvores e visitas a áreas produtivas.
A experiência se estendeu por diversas regiões do estado. Os participantes estiveram em Santana do São Francisco, Porto da Folha, Gararu, Canindé de São Francisco, Poço Redondo e Nossa Senhora da Glória, onde conheceram assentamentos, sistemas agroecológicos de produção, iniciativas comunitárias e processos de organização popular. Entre as atividades desenvolvidas estiveram encontros com o coletivo da juventude do MST, visitas à comunidade quilombola Mucambo, ao povo indígena Fulkaxó, em Pacatuba, e ao assentamento Jacaré-Curituba, onde realizaram uma trilha pela Rota do Cangaço.
Cotidiano das famílias
Os estudantes também participaram de assembleias comunitárias e vivenciaram o cotidiano das famílias dos assentamentos Nossa Senhora do Carmo, Nossa Senhora Aparecida, Adão Preto e José Emídio. Segundo Rosa Oliveira, do Setor de Educação do MST em Sergipe, a proposta do estágio é promover uma aprendizagem baseada na convivência direta com as comunidades.
A antropóloga Solana Zandonai, doutoranda da Universidade de Brasília (UnB) e integrante de um projeto desenvolvido em parceria com o Incra, acompanhou o grupo durante a experiência. Para ela, a vivência nos territórios representa uma oportunidade singular de aprendizado. “Eu trabalho em um projeto com o Incra e estou recebendo os estudantes internacionais e acompanhando esse grupo durante a visita. Essa é a primeira vez que venho ao Nordeste para participar dessa experiência e tem sido incrível. Estar junto ao MST e aos movimentos sociais do campo sempre proporciona muito aprendizado”, afirma.
Fonte e foto: MST