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Canoa de Tolda, um patrimônio cultural de Sergipe

O restauro da Luzitânia levou cerca de dez anos, em grande parte por falta de recursos

Graças a Sociedade Sócio-Ambiental do Baixo São Francisco Canoa de Tolda, Sergipe preservou uma relíquia: a Canoa de Tolda Luzitânia, do município de Brejo Grande, transformada em Patrimônio Nacional Material em Sergipe. O honroso título foi conferido pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Nacional (Iphan).

O processo de reconhecimento começou em 2008, quando a Sociedade Canoa de Tolda deu entrada do Projeto Luzitânia no Ministério da Cultura (MinC). A proposta defendia enquadrar a canoa nas ações de proteção, conservação e manutenção dentro da Lei Rouanet, para obter patrocínio. O patrocinador, através desta lei, teria descontos em sua declaração de imposto de renda. Ao se reunir para avaliar o projeto, o Conselho Nacional de Incentivo à Cultura, o CNIC exigiu, por parte do MinC, a documentação do tombamento.

A partir da exigência, foi solicitado ao Iphan que fossem tomadas as medidas necessárias, emitindo uma notificação. O projeto foi aprovado na CNIC e o patrocinador imediatamente encaminhou os recursos, possibilitando a manutenção da Luzitânia nos anos de 2009 e 2010, levando ao tombamento em 2010.

A Luzitânia é uma canoa de tolda de 200 sacos (cada saco corresponde ao padrão de peso de 60 kg).

O processo de reconstrução da “Luzitânia” contou com a participação de mestres ribeirinhos, como o falecido carpinteiro Nivaldo Sena, responsável pela recuperação da estrutura da canoa de tolda. Peças de ferragens foram trabalhadas, a ferro e fogo, pelo Mestre Lula, em Piaçabuçu, Alagoas, sendo as velas costuradas pelo mestre Aristides, em Penedo, também em Alagoas, dentre outros autores de peças para a embarcação, todas fabricadas de modo artesanal.

Paraíso das canoas de tolda

O Rio São Francisco já foi o paraíso das canoas de tolda, embarcações criadas no século XIX com influências indígenas e europeias. Aos poucos, elas foram se adaptando à região mais baixa do rio, no Nordeste, e até os anos 1950 ainda transportavam alimentos, combustível e diversos materiais, como tijolos. No entanto, com a abertura de rodovias e a menor vazão do rio, acabaram perdendo importância econômica e foram desaparecendo.

A última sobrevivente que ainda navegava em regime comercial, chamada Luzitânia, foi comprada em péssimo estado pela Sociedade Canoa de Tolda, que a restaurou e conseguiu seu tombamento pelo Iphan, em 2010. A Luzitânia é uma embarcação de 200 sacos (cada saco corresponde ao padrão de peso de 60 kg).

“As canoas e outras embarcações levavam várias riquezas do litoral para o interior e vice-versa, mas a memória desse período, com várias histórias, está se perdendo. Dizem que a Luzitânia foi construída na década de 1920. E canoeiros e moradores do povoado de Pão de Açúcar, em Alagoas, contam que nos anos 1930 ela foi usada até por Lampião, que ficou no Baixo São Francisco por um tempo”, diz Carlos Eduardo Ribeiro Júnior, projetista naval e presidente da Sociedade Canoa de Tolda.

Segundo ele, o restauro da Luzitânia não foi nada fácil. Levou cerca de dez anos, em grande parte por falta de recursos. Hoje, além de cuidar da conservação da canoa mais antiga do Baixo São Francisco, a Sociedade Canoa de Tolda realiza diversas atividades, como visitas guiadas e exibições de filmes utilizando a estrutura da embarcação. Outra iniciativa interessante é a Rota das Canoas, que organiza passeios com duração média de cinco dias desde o litoral até o sertão do Baixo São Francisco, com hospedagem na casa de moradores da região.

Com texto de Cristina Romanelli do portal revistadehistória.com.br (Crédito/niltonsouza)

 

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