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A emenda da discórdia

Aplaudido por André Moura, o prefeito Edvaldo Nogueira comemora a emenda que ainda não teve o dinheiro liberado

Nunca antes na história de Sergipe uma emenda parlamentar ao Orçamento da União gerou tanta polêmica quanto a que foi apresentada pela bancada federal sergipana para a realização de obras de infraestrutura em Aracaju. Tudo porque a administração municipal se empolgou com um “empurrãozinho” do deputado André Moura (PSC) visando liberar os R$ 65 milhões e promoveu uma solenidade festiva exclusivamente para homenageá-lo. Também autores do benefício para os aracajuanos, os demais parlamentares federais não apareceram no evento. Eles não protestaram em público contra a atitude da Prefeitura, porém, à boca miúda,  expõem o incomodo com a discriminação do gestor Edvaldo Nogueira (PCdoB).

Ao discursar na solenidade montada para massagear o ego de André Moura, o prefeito ressaltou o empenho do parlamentar, “que trabalhou para que houvesse a liberação dos recursos”. Diferente do que disse o comunista e o próprio deputado, os R$ 65 milhões da emenda impositiva ainda não foram liberados, pois a Prefeitura terá que apresentar alguns documentos à Caixa Econômica Federal. Ademais, este montante deveria ter sido bem maior. A proposta original da bancada federal sergipana previa recursos da ordem de R$ 124 milhões, porém o governo do qual André Moura é líder no Congresso contingenciou praticamente a metade, em grave prejuízo para os aracajuanos.

E André Moura aproveitou a solenidade para encher a própria bola: “Nunca se viu na história do país, uma emenda deste valor ser liberada em 29 dias. O fato de eu ser líder do governo, obviamente, também contribuiu para este momento no qual Aracaju ganha este grande presente, com todo este dinheiro empregado em obras na periferia da cidade, beneficiando as pessoas mais humildes”, destacou.

Prefeito mentiu

O senador Antônio Carlos Valadares (PSB) foi um dos poucos que se manifestou publicamente sobre o assunto, particularmente para desmentir o prefeito, que disse tê-lo procurado, sem sucesso, visando lhe pedir que desse uma força para a liberação da emenda: “Procurei o senador em fevereiro, mas não pude ser recebido porque ele estava ocupado”, disse o comunista. Valadares reagiu: “Edvaldo não apareceu em meu gabinete nem para me agradecer, como seria normal. Talvez, com medo da indagação que eu iria lhe fazer sobre uma caluniosa acusação feita por ele durante a campanha eleitoral, de que estaria em curso uma ‘organização de quadrilha’ para assaltar a Prefeitura, com a pretensa participação do deputado André Moura, caso Valadares Filho ganhasse a eleição de Aracaju”.

Polêmica à parte, quando os R$ 63 milhões forem liberados, a Prefeitura pretende realizar obras de infraestrutura nos bairros Cidade Nova (loteamentos Moema Mary, Jardim Indara e Tia Caçula), Japãozinho, Bugio, Soledade (loteamentos Jardim Bahia I e II, Santa Catarina, Guarujá, Monte Belo, Porto do Gringo e Rua do Toque), Santa Maria (loteamento Paraíso do Sul), Olaria (canal do São Carlos) e Zona de Expansão (povoados Mosqueiro e Areia Branca, além da Ponta da Asa). Além disso, uma das principais obras a ser realizada com a verba são a drenagem e pavimentação de toda a Avenida Euclides Figueiredo, num investimento de R$ 7,7 milhões, resolvendo um problema crônico da região Norte de Aracaju.

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