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Pebas e Cabaús

Por Antonio Samarone *

A história republicana da política em Sergipe é uma festa conservadora. Com raras exceções, sempre fomos governados por uma elite atrasada e excludente.

O historiador Ariosvaldo Figueiredo, autor de uma alentada história política de Sergipe, em cinco volumes, descreve uma regularidade nas disputas em Sergipe:

Formam-se blocos de poder em torno de um Chefe, que permanecem no Governo por anos, praticamente sem oposição. Sem disputas, os sucessores são ungidos pelo Chefe.

Depois entram em crise, dividem-se, e submetem-se a um enfrentamento: uma disputa eleitoral. Os blocos em disputa geralmente são oriundos do anterior. Nada de novo!

O vencedor reunirá novamente os políticos em torno de um novo bloco, para mais uma dinastia, em torno de um novo Chefe. Em pouco tempo, os que perderam voltam ao ninho.

As composições políticas são circunstanciais, não obedecem a divergências doutrinárias nem ideológicas.

Muda-se as figuras, mas o Reisado é o mesmo.

Nos últimos 130 anos em Sergipe, alguns chefes se destacaram. Líderes que comandaram blocos por muito tempo: Olímpio Campos, Lobo/Valadão, Leandro Maciel e João Alves Filho foram os maiores. Outros, menores.

Deixei de fora o Estado Novo de 1937/45 e a Ditadura Militar Empresarial de 1964/82, por razões óbvias. A disputa era de bastidores, para agradar os de cima. O líder, era quem levasse o melhor sorvete de mangaba para os Generais.

Após a ditadura, o Bloco liderado por João Alves Filho governou por 24 anos. Em 2006, assumiu o um novo Bloco, liderado Déda/Jackson Barreto, que permanece até hoje.

Vivemos um momento raro na política em Sergipe: existe um vácuo de poder! É tempo de enfrentamentos!

A safra de políticos em Sergipe não é das melhores, nenhum novo Chefe construiu um bloco consistente. Esta é a novidade das próximas eleições: será uma eleição de disputa.

O Bloco no Poder se dividiu e acabou um ciclo de mando. Por enquanto, a divisão resultou em dois sub-blocos com poderes de enfrentamento: um liderado pelo Prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira e um outro, liderado pelo Senador do PT, Rogério Carvalho.

Seja qual for o resultado, o atual Governador Belivaldo Chagas caminha para a aposentadoria política (mais uma), e o vencedor, tendo talento e disposição, terá condições de construir uma nova dinastia.

A política tem suas leis e suas regras. Os desejos individuais têm um peso secundário.

O bloco no poder pode produzir outros sub-blocos ou formar-se blocos independentes (outsiders)?

Pode!

Mas será uma quebra da tradição conservadora de Sergipe. Uma novidade fora das regras dominantes até hoje. Por aqui, terceira via é acostamento. Nunca teve chances.

Belivaldo foi um governo de transição. De qualquer jeito, seja qual for o resultado eleitoral, o seu bloco será dissolvido, sem deixar saudades.

Ocorrerá a velha disputa Pebas X Cabaús!

* É médico sanitarista

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