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O ovo da serpente

“O ovo da serpente” é o título do filme mais emblemático do diretor sueco Ingmar Bergman (1918-2007). É ambientado na Alemanha da República de Weimar, aquele período do pós-Primeira Guerra, em 1919, até a ascensão de Hitler ao poder e início do regime nazista, em 1933.

A história se passa em Berlim, em novembro de 1923. Abel Rosenberg, um trapezista judeu desempregado, está na cidade para tentar descobrir a razão do suicídio de seu irmão. No trabalho com um cientista, Abel desconfia que alguma coisa está errada e descobre que ele faz experiências humanas em nome da ciência médica e da supremacia ariana. Ali encontra a resposta para o suicídio do irmão.

O pano de fundo é uma Alemanha em crise, o povo em crise existencial, econômica e social, o poder político corrompido, não há perspectiva de futuro. Ambiente propício para o “ovo da serpente” ser chocado e eclodir com toda sua força destruidora.

Qualquer semelhança será mera coincidência?

O presidente Bolsonaro tem obsessão por armar o cidadão de bem para que ele possa se defender. Mas quem na verdade quer andar armado? O jornalista Luis Nassif lembra que, além das milícias propriamente ditas, há ampla aceitação de Bolsonaro entre os seguintes grupos armados: baixa patente das Polícias Militares em vários estados, clubes de tiro, ruralistas e o movimento difuso dos “cidadãos de bem”, espalhados por todo o país, com apoio das Igrejas evangélicas.

Estaria Bolsonaro montando seu próprio exército, como Hitler criou a SS em 1925? A Schutzstaffel (em português “Tropa de Proteção”), abreviada como SS, foi uma organização paramilitar ligada ao partido nazista. Bolsonaro quer criar uma tropa de proteção para o seu partido, Aliança Pelo Brasil, que nasce com traços de personalidade neofascista? Uma tropa de choque para usar contra os adversários?

Liberando-se o porte de armas e a licença para matar quando em serviço (excludente de ilicitude) a tendência é ampliar as milícias armadas e a reação brutal a qualquer tipo de manifestação ou de resistência. É uma prevenção à onda de protestos que varre a América Latina?

O partido Três Oitão já chega declarando guerra ao comunismo, sabe-se lá de onde os bolcheviques podem surgir. É a moderna TFP sob a inspiração de Steve Bennon e Olavo de Carvalho e a bênção neopentecostal.

E tudo se desenvolve sob a complacência dos poderes e das instituições, que têm demonstrado desde sempre ampla simpatia pelo capitão paraquedista. Ele pode tudo, ele faz o que quer, e nada acontece.

Afinal, quem mandou matar Mariele? Por que a investigação estancou ao chegar à casa 58? Cadê Carlucho?

Enquanto isso, o Deus Mercado deixa acontecer com complacência, desde que as benditas reformas neoliberais sejam aprovadas por um Congresso que é dominado pelas bancadas da Bíblia, do Boi e da Bala.

A aposta é arriscada demais.

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