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Indústrias sergipanas temem curto circuito

A indústria sergipana enfrenta uma de suas piores crises econômicas, situação que deve se agravar ainda mais se a Assembleia Legislativa aprovar o Projeto de Lei de autoria do Executivo, aumentando dos atuais 17% para 25% a alíquota do ICMS da energia elétrica cobrado ao setor industrial. Isso significa um reajuste de quase 50%. “As empresas de cerâmica vermelha já demitiram mais de mil trabalhadores nos últimos meses. Algumas delas devem fechar as portas brevemente”, revela o empresário Abílio Guimarães Primo, diretor do Sindicato das Indústrias de Cerâmicas e Olarias do Estado de Sergipe.

O presidente da Federação das Indústrias de Sergipe (FIES), Eduardo Prado, informa que o setor já perdeu este ano 6% de competitividade, em função da crise econômica instalada no país. Ele tem certeza que a aprovação do reajuste do ICMS vai agravar ainda mais a situação: “A energia elétrica é um dos insumos indispensáveis na linha de produção das indústrias. Com o reajuste proposto pelo governo, as empresas sergipanas perderão competitividade frente às indústrias de Alagoas, Rio Grande do Norte e Paraíba, onde a alíquota do imposto permanece em 17%”, adverte Eduardo Prado.

Outro que está preocupado com a crise é o diretor da tradicional Gráfica J. Andrade, Stênio Andrade: “De dezembro passado a maio último, o setor reduziu a produção em cerca de 30%, muitas empresas estão operando no vermelho e já começaram a demitir”, conta. De acordo com ele, se os deputados estaduais aprovarem o aumento do ICMS para a indústria, vai crescer a concorrência predatória. “Gráficas de outros estados, onde o imposto é 17%, virão buscar serviços em Sergipe, causando a derrocada do setor”, prevê Stênio.

Levantamento feito pela Federação das Indústrias do Estado de Sergipe (FIES) mostra o agravamento da crise no período de junho de 2014 a maio passado. Os números são estarrecedores. O setor têxtil registrou uma queda de 40% na produção, devendo dispensar 150 trabalhadores este ano. As fábricas já operam em três turnos, ao invés dos tracionais quatro turnos diários. As serrarias e carpintarias pararam de fazer hora extra, desempregaram cerca de 200 operários e reduziram as atividades em 35%.

A situação da indústria metal-mecânica também é grave. O estudo da FIES aponta que este setor reduziu a produção em 15% e dispensou trabalhadores. O açúcar, tradicional produto sergipano, apresentou redução de 24,7% da exportação, enquanto a indústria do álcool demitiu mais de 1,8 mil operários nos últimos meses. Outro setor seriamente afetado pela crise é o da construção civil, que reduziu as atividades em 30% e já desempregou mais de 578 pessoas.

A crise vivida pela construção civil tem afetado diretamente as indústrias de cerâmica vermelha. “Nesta cadeia produtiva estamos no final da linha. Primeiro, o governo corta recursos para a Caixa Econômica, que diminui os financiamentos para a construção civil, obrigando este setor a comprar menos cerâmica vermelha”, explica Abílio Guimarães. Ele conta que as ceramistas estão operando com 60% da capacidade. “As empresas que operavam cinco dias e meio por semana, estão trabalhando quatro dias”, diz o líder empresarial.

Sem tramitação

Na Assembleia desde o mês passado, o Projeto de Lei aumentando em 8% do ICMS cobrado às indústrias, ainda não tramitou nas comissões temáticas. “Deixamos para discutir esta matéria depois do recesso parlamentar, em agosto”, diz o líder do governo no Legislativo, deputado estadual Francisco Gualberto (PT). Em recente entrevista, o governador Jackson Barreto (PMDB) defendeu a aprovação da proposta e garantiu que a majoração do tributo não afetará o consumidor final. Não é assim que pensam os empresários: “O comércio será forçado a repassar para a população o aumento dos produtos, a ser gerado pelo reajuste do ICMS”, afirma o presidente da FIES, Eduardo Prado.

Por Adiberto de Souza

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