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Paraíso do pitu

Por Nide Lins (Turismo e gastronomia)

Numa reportagem sobre a cidade de Piranhas, dona Gilda Correia Nunes lembrou que na sua infância e adolescência havia pitu de fartura na região. “A gente comia até no café da manhã”, recorda-se, com saudades dos bons tempos do nosso rio São Francisco. Eu também fiquei nostálgica com a história, e lembrei que o meu sonho era comer uma pituzada tradicional, cozida na casca com água e sal. Pra minha felicidade, saboreei o crustáceo sob as bênçãos do Cristo em Pão de Açúcar.

A pesca do pitu passou bom tempo proibida, para que a espécie tivesse oportunidade de sobreviver e se reproduzir no Velho Chico. Felizmente, a partir de março deste ano a pesca foi liberada pelo Ibama. Com aval das autoridades, aproveitei minha viagem ao povoado da Ilha do Ferro em Pão de Açúcar e fui comer uma boa pituzada na Churrascaria Cristo Redentor que, apesar do nome, é uma casa  especializada em pescados do Rio São Francisco. É a glória.

Os pitus podem ser servidos como filé ou na casca, mas, claro, eu prefiro eles vestidos porque produzem mais sabor ao pirão e ao próprio crustáceo. Estava uma belezura, carne suculenta, tempero na medida certa. A tradição é saborear o crustáceo da água doce no casco e sem cerimônias, ou melhor, deixe a etiqueta de lado – pegue o bichinho com a mão para sugar o caldo temperado com tomate, cebola, coentro, pimentão, pimenta e sal.

Mas antes de iniciar o ritual da pituzada, o dono do empreendimento, Milton Lopes, me sugeriu petiscar “torresmo de peixe”. Impossível recusar a oferta. Perguntei como seria o tal do torresmo e ele me explicou que o tira-gosto é feito com o couro da tilápia e do pacu, temperado apenas no sal e frito no óleo bem quente, ficando enroladinho e crocante.

“Compro o peixe tilápia e faço os filés no restaurante, são cinco quilos do peixe para render um quilo de filé, então transformei o couro em petisco”, diz Milton. Torresmo de peixe aprovadíssimo, apenas recomendo que peça para maneirar no sal, e, claro,  cerveja hiper gelada, afinal é Sertão.

O filé de tilápia também está presente na Churrascaria Cristo Redentor, na versão de almoço e petisco. E há outras iguarias do rio, como a piaba branca e a bisteca de peixe, o que significam mais um motivo pra voltar a Pão de Açúcar.

Quem comanda a cozinha do Cristo é Júlia Lopes, uma simpática senhora, que faz muito bem a culinária tradicional do rio. Há 14 anos, junto a seu esposo Milton, eles administram a churrascaria, mas antes tiveram um bar batizado de Redondo. De cozinha, asseguro que o casal entende bem.

Cristo Redentor é o cartão postal de Pão de Açúcar e, coincidentemente, do lado sergipano do município tem a cidade de Niterói. Além de se comer bem os pescados do rio, se tem a mais bela vista do São Francisco que, apesar de agonizar, continua lindo, doce e generoso. Para ajudar a salvar esse nosso patrimônio, podemos começar de uma maneira simples: não jogando lixo em suas águas. O nosso Velho Chico agradece.

Roteiro Churrascaria Cristo Redentor

Preços: Pituzada pequena – R$ 40,00 – Aceita cartão (mais depende do sinal da internet. Por garantia leve dinheiro)

Funciona todos os dias das 10h até 19h

 Telefone: 99942.9103

 Extraído do blog.tnh1.ne10.uol.com.br/nidelins/

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