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Os grandes da Medicina em Sergipe

Por Antonio Samarone *

Felisbelo Freire, o primeiro Governador de Sergipe republicano, é mais conhecido como historiador, por sua obra. Publicou muito sobre a história de Sergipe.

Entretanto, como médico, Felisbelo disputou com o Dr. Bragança, o título de maior clínico de Sergipe, daquela época. Era quase um mágico dos diagnósticos.

Felisbelo nasceu em Itaporanga, em 1858. Formou-se em medicina na Bahia, em 1882. Retornou à Sergipe, e montou consultório em Laranjeiras. Em sua passagem pela Bahia, formou-se músico de grande talento.

Em Laranjeiras, Felisbelo Freire liderou o movimento republicano em Sergipe.

Após a Proclamação, assumiu o Governo do Estado por poucos dias, logo se desentendeu com os oligarcas, que dominavam (ou dominam) a política em Sergipe.

Felisbelo migrou para o Rio de Janeiro. Por competência e identidade política, assumiu o Ministério da Fazenda do Governo Floriano. Foi Deputado Federal por Sergipe, por vários mandatos.

Genolino Amado (cadeira 32, da Academia Brasileira de Letras) conta um fato revelador da competência médica de Felisbello.

Mimi, irmã de Genolino, adoeceu gravemente. A família buscou os cuidados de Augusto Leite. O grande causídico não atinou um diagnóstico. Aconselhou a família: “procurem Felisbelo, que está de passagem por Aracaju.”

Mesmo com os ressentimentos políticos (os Amados de Itaporanga eram ligados aos Cabaús) a vida da filha era mais importante. Gilberto Amado, o filho famoso, ficou encarregado dessa missão. Felisbelo atendeu prontamente.

Existia uma tradição dos médicos em Sergipe, de não levarem em conta as divergências políticas, em suas profissões. Esse rancor atual, onde alguns médicos são movidos pela paixão política e pela adoração ao “mito”, são fatos novos. Espero que passageiros.

Mesmo sendo adversários políticos em Itaporanga (a política local é rancorosa), procuraram Felisbelo Freire.

O médico Felisbelo Freire esqueceu a política e compareceu à casa dos Amados. Prontamente, fez o diagnóstico e prescreveu os medicamentos adequados. Estabeleceu também uma dieta rigorosa (água de arroz, por três dias).

Depois da consulta, Felisbelo sentenciou: “Sei o que a moça tem. O que me disse o Dr. Augusto Leite antes de vir, ajudou-me no diagnóstico. (foi elegante com o colega). O caso é sério, porém não desesperador. Com boa medicação e dieta conveniente, creio que vou salvar a filha de vocês. É jovem, tem por si a natureza e o vigor dos Amados.”

Dito e feito, em poucos dias, a filha dos Amados (Melk e Donona), estava de pé, curada.

A descrição que Genolino Amado faz de Felisbelo é primorosa: “um senhor de meia altura, cabelos grisalhos, bigode fofo, lentes com aro fino de metal, colarinho engomado e gravatinha escura de laço feito.” Perfeito, Felisbelo Freire.

Estou convencido, que a rica biografia de Felisbelo Freire, pode incluir um capítulo: Um grande clínico.

* É médico sanitarista.

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