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Leonardo Alencar e José Fernandes frente a frente

* Marcos Cardoso

A exposição “Ó Abre Alas Para o Corredor Cultural Saudar o Carnaval!” reúne dois dos mais valiosos artistas plásticos sergipanos: Leonardo Alencar, um ícone que recentemente se foi, e José Fernandes, dos maiores entre os que orbitam sob o sol dessa terra. São dois artistas de personalidade forte e traços definidos.

Leonardo Fontes de Alencar era filho do poeta e intelectual Clodoaldo de Alencar. Ele se interessou pelas artes na infância da sua Estância, onde nasceu no dia 7 de abril de 1940.

Mas as cores da pintura brotaram no contato com J. Inácio e os irmãos propriaenses Álvaro e Florival Santos, estimulado pelo mestre Jordão de Oliveira. Estreou em 1959 com uma exposição coletiva no Palácio Olímpio Campos. No ano seguinte realizou a sua primeira exposição individual, partindo para outras experiências e participando de diversas mostras pelo Brasil e exterior.

Fez exposição na galeria Belvedere da Sé, em Salvador, e na Escola Nacional de Belas-Artes, no Rio de Janeiro. Em 1964, três anos depois de ingressar na Escola de Belas Artes e na Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia, foi contratado como Professor Notório Saber, ajudando a implantar a cadeira de artes visuais da EBA.

Naquele solo recôncavo, ele conviveu com outros ilustres sergipanos, como os professores, jornalistas e escritores Mário Cabral e Nélson de Araújo.

Sua biografia oficial afirma que Leonardo ensinou na UFBA até 1970, quando recebeu uma bolsa como artista residente num programa elaborado pelas Indústrias Teves, do colecionador alemão Ernst August Teves. Viajou pela Europa, expondo e aprofundando conhecimento, antes de fixar residência em Londres, onde permaneceu até 1974 vivendo como freelancer.

Retornou a Salvador, de onde se despediu em 1980, quando se radicou definitivamente em Aracaju. Expressionista figurativista, Leonardo Alencar retrata cenas que remetem a um sonho ou um delírio. Multifacetado, ele transitava por diversas técnicas, do desenho e da ilustração à pintura e à xilogravura, e também pela cenografia.

“Leonardo Alencar, ou simplesmente Leo é uma das personalidades mais expressivas de Sergipe. Atinge a dimensão mítica na medida em que seu destino de pintor arrastou rica parcela da mocidade sergipana para esse campo artístico, havendo hoje dezenas de jovens pintores no Estado, suscitados por seu compromisso com a arte de Portinari e José de Dome”, um dia escreveu o crítico Ezequiel Monteiro.

Em 2011, a Galeria Manoel Bandeira, da Academia Brasileira de Letras, comemorou com uma exposição meio século de arte de Leonardo Alencar. “Um artista que conhece a fundo os mistérios do povo nordestino. Incorpora-os no mais recôndito da sua alma, para recitá-los numa arte que transcende os regionalismos, sem trair jamais as suas raízes populares”, sobre ele escreveu Nélson de Araújo.

Leonardo despediu-se da textura da vida quatro meses atrás, no dia 1º de outubro de 2016.

José Fernandes

José Fernandes é antes de tudo um personagem da Belle Époque que frequenta as tardes de Aracaju. Pintor, restaurador, professor de artes e produtor cultural, é de Lagarto, onde nasceu no dia 19 de outubro de 1959. Órfão do pai com dois anos, foi arrastado para a capital, onde brincou de ser menino e iniciou-se como artista autodidata.

Em 1972, já estava produzindo e assinando. Em 1976, aos 17 anos, quando participou da primeira exposição coletiva, na Galeria de Arte Álvaro Santos, já vivia do próprio ofício de artista. Depois de realizar sua primeira individual, três anos depois na mesma galeria, ganhou o mundo, levando em exposições no Brasil e no exterior a brasilidade onírica de suas telas, como ressaltou o jornal Zero Hora, em 1991, após expôr em Porto Alegre.

Antes, em 1982, foi um dos idealizadores em Aracaju do Movimento das Artes, ao lado do artista plástico Anselmo Rodrigues e do fotógrafo Marinho Neto. E, em 1990, participou de exposição coletiva na Dodge House Gallery, em Rhode Island, nos Estados Unidos.

Como se não bastasse, foi diretor da galeria onde um dia debutou, a Álvaro Santos, e é um dos idealizadores, ao lado do jornalista Osmário Santos, do projeto Aracaju de Tototó, que festeja o aniversário da cidade.

A mostra de Leonardo Alencar e José Fernandes será aberta ao público na terça-feira, 7, às 10h30, no Corredor Cultural Irmão, na Rua Vila Cristina, 1051. A promoção é da Secretaria de Estado da Cultura, sob direção de Neu Fontes.

* Marcos Cardoso é jornalista, autor de “Sempre aos Domingos: Antologia de textos jornalísticos”.

 

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