
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) deu início à turma do cursinho de Pré-Enem da Reforma Agrária, no assentamento Queimada Grande, em Poço Redondo, município do semiárido de Sergipe. A iniciativa acontece no Centro Estadual de Educação Profissional Dom José Brandão de Castro, escola localizada no assentamento.
Com duração de sete meses, o cursinho oferece aulas de Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Matemática e Redação, a partir da metodologia da Educação do Campo do MST. Mais do que preparar jovens para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o projeto busca formar sujeitos críticos, conscientes e comprometidos com a transformação da realidade.
Para Arcanjo, da coordenação estadual da Juventude do MST Sergipe, o curso representa um passo importante ao garantir que a juventude do campo ocupe os espaços historicamente negados às populações camponesas. “Chegou a vez da juventude Sem Terra ocupar a universidade, pintar ela de povo. Queremos uma juventude politizada e também formada. Através desse curso alcançamos a juventude da base e trazemos para a luta. A juventude do sertão está sendo alcançada”, frisa.
Compromisso histórico
A formação integra o compromisso histórico do MST com a construção de uma educação pública, popular e emancipadora. Para Raimundo, da coordenação estadual do Setor de Educação, democratizar o acesso ao Enem também significa fortalecer o direito à educação para a classe trabalhadora. “O setor de Educação [do MST] tem o compromisso com a educação popular e para todos. O curso vem como uma forma de democratizar o acesso à preparação para o Enem. Seguiremos firmes construindo uma educação de qualidade e popular”, afirmou.
Além da preparação acadêmica, a proposta reafirma a formação política como eixo central da experiência educativa. Segundo Dilma, do setor de Formação do MST no Sergipe, esse processo fortalece o papel da juventude na construção da Reforma Agrária Popular. “São sete meses de curso e será uma grande formação política e pedagógica. Além de formar para a universidade, iremos formar sujeitos políticos”.
O Pré-Enem da Reforma Agrária reafirma a compreensão de que a educação é um direito e um instrumento de emancipação da classe trabalhadora. Ao criar condições para que jovens do campo ingressem na universidade sem perder os vínculos com seus territórios e com sua identidade camponesa, o Movimento fortalece uma educação comprometida com a justiça social, a soberania popular e a construção da Reforma Agrária Popular.
Fonte e foto: MST