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20 de outubro de 2026
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Investimento público, expansão da UFS e desenvolvimento econômico e social de Sergipe

Por Rosalvo Ferreira Santos*

Dou início a este relato dizendo que o vetor determinante para que a UFS alcançasse o número atual de 7 campi universitários foi, sem sombras de dúvidas, a política educacional adotada pelo Governo Federal, sob a coordenação do Presidente Lula, eleito em 2002.

O primeiro Campus instalado fora da Grande Aracaju ocorreu em 2006, no município de Itabaiana. Os alunos do Agreste Sergipano passaram a ter oportunidade de estudar em 10 cursos, 7 licenciaturas e 3 bacharelados, ofertados nos turnos da manhã, tarde e noite, numa Universidade pública de elevado nível, sem a necessidade de deslocamento ao campus de São Cristóvão.

No ano seguinte, em 2007, com a participação direta do Governador Marcelo Deda, foi instalado o Campus de Laranjeiras, focado em cursos da área de artes, arquitetura, museologia e arqueologia.

Entre 2008 e 2012, já como parte do Programa REUNI, lançado pelo Ministério da Educação na gestão do Ministro Fernando Haddad, a Universidade Federal de Sergipe mais que dobrou o seu número de cursos em todas as áreas do conhecimento. A Cidade Universitária Prof. Aloísio de Campos passou a ser um canteiro de obras com a construção de mais 50 obras, com um aumento de mais de 100% do número de salas de aula, resultado da construção de 3 novas didáticas.

Entre 2004-2012, o número de alunos da graduação passou de 12 mil para 24,8 mil alunos matriculados nos cursos presenciais e 5 mil do ensino a distância, ou seja, mais que dobrou o número de alunos matriculados na graduação num intervalo de 8 anos. Por sua vez, a pós-graduação também iniciou seu processo de expansão em número de cursos de mestrado e de doutorado, que só foi possível em razão da contratação por meio de concurso público de centenas de docentes e técnicos administrativos. Em 2004 eram 357 alunos matriculados em 9 programas de pós-graduação. Esse número, em 2012, passou para mais de 1.700 alunos matriculados em 37 mestrados e 8 doutorados. Atualmente, existem 62 programas de pós-graduação, sendo 58 mestrados e 25 doutorados, com mais de 3 mil alunos matriculados.

O processo de expansão e interiorização da UFS avança em direção ao Centro-Sul do Estado, com a instalação, em 2010, do Campus de Lagarto, voltado exclusivamente para a área da saúde, por meio da criação de cursos pioneiros no Estado. A metodologia adotada baseada em resolução de problemas, também foi um diferencial do ponto de vista pedagógico e tem contribuído de modo decisivo para o pertencimento do aluno com as comunidades e os municípios do Centro-Sul de Sergipe. O Centro de Simulações, em Lagarto, e o Centro de Qualidade de Vida, em Simão Dias, representam uma visão estratégica de integração entre ensino, pesquisa e extensão, com atendimento tanto à população local como de outros municípios da região, inclusive, de municípios da Bahia.

A federalização do hospital estadual de Lagarto e sua vinculação à rede federal de hospitais universitários (EBSERH) deu origem ao Hospital Universitário de Lagarto, tornando possível a oferta de serviço público de saúde com padrão de excelência. Foram destinados, em 2025, pelo Governo Federal recursos no montante de 50 milhões de reais para ampliação das instalações do Hospital Universitário de Lagarto. Será construído praticamente um novo hospital, com centro administrativo, de imagem e a integração do ensino e da pesquisa num mesmo espaço físico. O binômio educação e saúde está, de fato, sendo tratado como deveria pela atual gestão dos Ministérios da Educação e da Saúde, cujos resultados para a sociedade da região Centro-Sul e de todo o Estado de Sergipe são indubitáveis. A ampliação de hospitais universitários representa o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) em benefício das atuais e futuras gerações.

O Campus da Saúde em Aracaju, cuja referência são os cursos de Medicina, Odontologia, Enfermagem, é mais conhecido como Hospital Universitário (HU), dada a relevância do hospital para a sociedade sergipana. A expansão física do HU, após várias tentativas, ocorreu no período de 2012 a 2020 e foi marcada por duas grandes obras. O Centro de Imagem e o Complexo Materno-Infantil. Os recursos orçamentários no montante de mais 20 milhões de reais foram viabilizados pelo Ministério da Educação, com o apoio de parlamentares federais. Além de gerar emprego e renda durante a realização das obras, o investimento federal proporciona maior arrecadação para o Estado, posto que as compras dos insumos para execução dos serviços de engenharia são realizadas, geralmente, no mercado local.

A expansão da UFS para o interior do Estado não parou mesmo com o fim do ciclo do REUNI (2008-2012).  Em 2015, num quadro de bastante instabilidade política e econômica do país, a gestão superior da nossa Universidade teve a coragem de instalar um novo campus, seguindo a estratégia prevista no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI). O Campus do Sertão surgiu da mobilização do povo sertanejo e foi planejado para atuar e apoiar as atividades produtivas do Alto Sertão. Foram criados e se encontram em funcionamento os cursos de Veterinária, Agronomia, Zootecnia e Agroindústria, todos aplicando a metodologia da Aprendizagem Baseados em Problemas (PBL), seguindo o modelo do campus de Lagarto.

A construção do campus definitivo representou um avanço extraordinário levado adiante pela gestão superior da UFS junto à bancada federal dos parlamentares de Sergipe. Não fosse a liberação da dotação orçamentária por meio de emenda de bancada, não teria sido possível dar início e continuidade às obras do campus definitivo, situado entre os municípios de Feira Nova e Nossa Senhora da Glória, cujo terreno foi fruto de cessão da Embrapa para a UFS, em 2017.

A transformação da economia e da educação no Território do Alto Sertão tem muito a ver com a chegada da Universidade Federal de Sergipe, numa velocidade até mais acelerada do que a esperada. Os dados do Produto Interno Bruto do Alto Sertão mostram um crescimento econômico bastante expressivo, sobretudo, nos municípios de Nossa Senhora da Glória, Poço Redondo, Porto da Folha e Monte Alegre de Sergipe, os quais respondem pelo dinamismo da bacia leiteira de Sergipe, que se situa como a de maior produtividade na região Nordeste. Os dados disponíveis do Censo de 2010 mostram que o IDHM de Nossa Senhora é de 0,587, considerado baixo. Os dados de desenvolvimento humano que serão publicados com base no Censo de 2022 deverão mostrar a magnitude do avanço desse indicador em todos os municípios do Alto Sertão e, particularmente, em Nossa Senhora da Glória, após a instalação do Campus do Sertão em 2015.

A dinâmica econômica do Agreste Sergipano não é diferente após a chegada da UFS em Itabaiana. Todos os municípios que compõem o Agreste melhoraram seus índices de educação, saúde e crescimento econômico. O PIB per capita cresceu de forma significativa para todos os municípios, destacando-se Itabaiana, cujo desempenho nesse indicador supera o apresentado pelo Estado. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), registrou um avanço excepcional entre os anos 2000 e 2010, passando de 0,481, considerado baixo, para 0,642, considerado de médio desenvolvimento humano. Certamente esse resultado será ainda melhor quando o IDHM com base no Censo 2022 estiver disponível.

O mesmo avanço nos indicadores sociais se observa no município de Laranjeiras.  O Índice de Desenvolvimento Humano (IDHM) cresceu 36,6% entre os anos 2000 e 2010, tendo boa performance em cada índice que que compõe o IDH: renda, saúde e educação, com destaque para o índice de saúde, 0,772, considerado de nível alto.

Por sua vez, a realidade social e econômica do município de São Cristóvão, incontestavelmente, é outra após o ciclo expansivo dos investimentos federais, ocorrido entre 2008 e 2016, no Campus Sede da Universidade Federal de Sergipe.  Além de ampliar a receita tributária por meio de impostos sobre serviços das construtoras, o aumento expressivo do número de docentes, técnicos administrativos e, sobretudo, de estudantes transformou de forma definitiva o bairro Rosa Elze, onde o Campus Prof. José Aloisio de Campos está instalado. Certamente, nem o professor José Aloisio, Reitor da UFS no período de 1976 a 1980, e responsável pela instalação da Universidade no município de São Cristóvão, imaginaria o quanto a cidade de São Cristóvão se desenvolveria acompanhando o processo de expansão dos investimentos federais em infraestrutura e em recursos humanos, porque educação se faz com pessoas e para pessoas.

A fragmentação das emendas impositivas tem retirado a autonomia dos Ministérios em realizar os projetos de investimentos de grande impacto e de maior alcance para todo o sistema da educação superior no país. A despeito da redução do orçamento federal na rubrica capital, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) constitui um esforço de realização de um novo ciclo expansivo de infraestrutura, ao qual as Universidades passaram a se integrar como estratégia de conclusão de obras ou de novos projetos.  No bojo dessa estratégia, o Ministério da Educação    consultou a gestão superior da UFS acerca da implantação dos campi constantes no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) da nossa Universidade; ou seja, a implantação do Campus de Estância e do Campus de Propriá. A partir de setembro 2023, foram iniciadas as tratativas com as gestões municipais dos respectivos municípios, visando viabilizar as condições básicas para instalação dos cursos e a área para construção de cada campus.

Como membro da gestão superior da UFS por 12 anos, na condição de Pró-reitor de Planejamento e de Vice-Reitor, tenho convicção de que as conquistas obtidas pelos territórios e pelas pessoas onde a UFS já possui campus implantado ou em via de implantação, serão ampliadas ainda mais. Na condição de professor de Economia, e inspirado na visão futurista do prof. Aloisio de Campos, ressalto a importância do investimento nas Universidades Públicas tanto como estratégia de soberania nacional, por meio do desenvolvimento econômico, social, artístico-cultural e tecnológico do país, como forma de superação de desigualdades que, de tão antigas e presentes, muitos já as considera normais ou naturais. No cenário político atual o que está em jogo é a disputa pelo Brasil para alguns e uma proposta de Brasil para todos, sem esquecer que a Educação é a base de toda e qualquer transformação social.

*Professor Titular do Departamento de Economia. Ex-pró-reitor de Planejamento entre 2012 e 2020 e Ex-vice-reitor da Universidade Federal de Sergipe entre 2020 e 2024.

O texto acima é opinião do autor e não representa necessariamente o pensamento do site Destaquenoticias.

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