O reitor e a falsa polêmica
30 de abril de 2022
Preço da gasolina volta a bater recorde
1 de maio de 2022
Exibir tudo

Bonequinha, o precursor do colunismo social em Sergipe

Por Adiberto de Souza *

Tido como pioneiro da crônica social em Sergipe, o promotor público Carlos Henrique de Carvalho era mais conhecido por “Bonequinha”, apelido certamente atribuído ao fato de sua baixa estatura e da elegância no vestir. Sobrinho do ex-interventor do estado, Eronides Carvalho, o colunista pontificou a partir dos anos 50, sendo requisitadíssimo pela chamada high society de Aracaju. Hoje, porém, é raro encontrar citações sobre ele na internet. Para lembrar deste precursor do colunismo entre nós, recorremos aos escritos do professor doutor Jorge Carvalho e do desembargador Artur Oscar de Oliveira Déda, este último contemporâneo de “Bonequinha” na Faculdade de Direito.

Da esquerda para a direita: Darcilo Costa, Carlos Henrique (Bonequinha), Adroaldo Campos, Carmelita, Heribaldo Vieira, João Aguiar, Paulo Moura, Laurindo Campos, Epaminondas e Aloisio Abreu (Clique na foto para ampliar)

Em seu Blog Educação e História, Jorge Carvalho revela que a partir de 1954, “Bonequinha” começou a publicar a lista dos 10 homens e das 10 mulheres mais elegantes do ano. Para o colunista, a um homem não bastava ser rico. Era necessário parecer um homem de bem, do bem e de bens. Vestir roupas exclusivas; praticar esportes; frequentar festas; viajar para lugares tidos como glamourosos. Veja como o colunista adjetivava seus homenageados: “Roberto Tunes – capitalista, rapaz moço que goza de um conceito muito catu na nossa sociedade. Sua elegância predomina através de tropicais ingleses bem talhados. Ultimamente circulou em Paris, Cidade Luz”.

Segundo o professor doutor Jorge Carvalho, o colunista possuía a exata consciência da importância que tem a divulgação dos acontecimentos sociais: “Para que uma festa badalada seja completa mesmo, é preciso a repercussão do evento nas colunas sociais”, ensinava. “Bonequinha” valorizava como poucos o fato de ser citado, ser visto. Contam que sempre que ia ao Rio de Janeiro, ao desembarcar no Aeroporto Santos Dumont, ele procurava o serviço de som e solicitava: “Por favor, chame ao balcão da Varig o doutor Carlos Henrique de Carvalho”. Sentava-se em um dos cantos e aguardava o chamado que ele mesmo atendia, passando acintosamente entre os passageiros e festejando intimamente por estar sendo visto por todos.

Num artigo publicado no Jornal da Cidade, o saudoso desembargador Artur Oscar de Oliveira Déda lembra que seu colega de faculdade fez amigos e inimigos, “estes últimos representados geralmente por pais protetores ou Romeus ciumentos”. O magistrado escreve com graça que, certa vez, numa sessão solene de posse realizada no Tribunal de Justiça, com a presença de representantes do Exército, – foi precisamente na tarde do dia 31 de março de 1964, véspera do golpe militar – “Bonequinha” discursou louvando as qualidades do novo desembargador Serapião de Aguiar Torres, chamando-o de “desembargador do povo”. Conta-se que, dias depois, o colunista fora intimado pelos militares para explicar a razão do título conferido ao magistrado. E ele, calmamente, esclareceu: “Sim, eu disse… desembargador do povo… quer dizer… do povo rico”. Este era “Bonequinha”.

* É editor do Portal Destaquenotícias (Foto: Arquivo pessoal da advogada Aida Campos)

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *