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Sindisan rechaça sabotagem e acusa Iguá de incompetente

Sindisan exige uma investigação técnica isenta e que não sirva de cortina de fumaça

“A tentativa de atribuir a falta de água na Zona de Expansão de Aracaju e nos Mosqueiro, Santa Maria, Robalo e adjacências à quebra de um único registro beira o absurdo técnico”. Esta revelação está na Nota Pública divulgada, nesta terça-feira (28), pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto de Sergipe (Sindisan). Segundo a entidade, o governo Mitidieri “parece mais preocupado em proteger o prestígio da empresa privada do que em garantir o direito fundamental da população ao acesso à água”.

De acordo com o sindicato, as declarações da concessionária Iguá Sergipe, endossadas pelo governo Mitidieri, “de que seriam necessários ‘conhecimentos específicos e chaves adequadas’, tentam lançar uma sombra de suspeição injusta e criminosa sobre os trabalhadores do saneamento. Causa estranheza que esse ‘vandalismo’ tenha ocorrido justamente na rede de menor impacto — uma conveniência narrativa que serve como a ‘desculpa perfeita’ para o fracasso da empresa em sua fase inicial”, frisa. O Sindisan diz não aceitar “que suspeitas infundadas recaiam sobre os empregados da DESO, que hoje são os principais atingidos pela política de desvalorização e precarização promovida pelo Estado”.

Veja, abaixo, a íntegra da Nota Pública do Sindisan:

O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto do Estado de Sergipe (SINDISAN), após reunir-se com o corpo técnico e operacional da Companhia de Saneamento de Sergipe (DESO), na segunda-feira, 27 de abril, vem a público restabelecer a verdade sobre os recentes episódios de desabastecimento e as graves acusações de “sabotagem” proferidas pela concessionária Iguá e pelo Governo do Estado.

Abaixo, detalhamos os pontos que desconstroem a narrativa oficial e expõem a tentativa de criminalizar trabalhadores para mascarar falhas de gestão:

  1. A Matemática do Desabastecimento: A Verdade sobre o Sistema

A tentativa de atribuir a falta de água na Zona de Expansão, Mosqueiro, Santa Maria, Robalo e adjacências à quebra de um único registro beira o absurdo técnico. O sistema que abastece essa região é composto por adutoras provenientes de três frentes: Poxim, São Francisco e Cabrita.

  • A Realidade dos Números: A rede supostamente “vandalizada” vem da Estação da Cabrita, que representa menos de 20% do volume destinado àquela área.
  • A Falha Ocultada: Os outros 80% do abastecimento dependem do sistema de bombeamento conhecido como E3. É de conhecimento técnico que a Iguá enfrentou problemas críticos nas bombas do sistema E3 e não conseguiu realizar os reparos em tempo hábil.
  • Conclusão: É impossível que o bloqueio de uma rede secundária (Cabrita) cause o colapso total em um sistema de rede dupla onde a fonte principal (E3) deveria estar operando.
  1. Desequilíbrio Operacional e Perda de “Know-how”

Especialistas e técnicos da DESO são categóricos: o sistema entregue à Iguá era plenamente balanceado. Anos de experiência permitiram o ajuste fino de pressões e manobras de válvulas que garantiam o equilíbrio hídrico da Região Metropolitana.

Desde que a Iguá assumiu, esse trabalho de calibração foi perdido. Relatos indicam que válvulas estão sendo abertas e fechadas sem o rigor técnico necessário, ignorando as posições de equilíbrio que mantinham a rede pressurizada. O desabastecimento é, portanto, fruto de uma curva de aprendizado deficitária e da falta de habilidade operacional da nova concessionária.

  1. A “Sabotagem” de um Equipamento Deteriorado

O SINDISAN teve acesso a registros fotográficos do equipamento danificado. As imagens revelam uma válvula em avançado estado de deterioração, o que torna tecnicamente impossível afirmar que o bloqueio foi fruto de ação humana deliberada em vez de fadiga de material ou falta de manutenção.

As declarações da Iguá, endossadas pelo Governo, de que seriam necessários “conhecimentos específicos e chaves adequadas”, tentam lançar uma sombra de suspeição injusta e criminosa sobre os trabalhadores do saneamento. Causa estranheza que esse “vandalismo” tenha ocorrido justamente na rede de menor impacto — uma conveniência narrativa que serve como a “desculpa perfeita” para o fracasso da empresa em sua fase inicial.

  1. Em Defesa da Dignidade do Trabalhador da DESO

O SINDISAN não aceitará que suspeitas infundadas recaiam sobre os empregados da DESO, que hoje são os principais atingidos pela política de desvalorização e precarização promovida pelo Estado.

  1. Dois Pesos e Duas Medidas

É lamentável observar a postura do Governo do Estado. Enquanto os trabalhadores da DESO sempre operaram com dedicação, enfrentando o sucateamento institucional, nunca contaram com a “defesa feroz” que o Executivo agora dedica à Iguá. O governo parece mais preocupado em proteger o prestígio da empresa privada do que em garantir o direito fundamental da população ao acesso à água.

Providências

O SINDISAN informa que provocará todos os órgãos de fiscalização e instâncias jurídicas competentes para acompanhar o inquérito que apura a suposta sabotagem. Exigimos uma investigação técnica isenta, que não sirva de cortina de fumaça para a incompetência administrativa que hoje castiga o povo sergipano.

Aracaju/SE, 28 de abril de 2026.

SINDISAN

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