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Supersafra de laranja expõe gargalos em Sergipe

O Grupo Maratá anunciou um plano de ampliação de 20% na capacidade industrial

A supersafra de laranja no Nordeste está quebrando recordes — e a logística de escoamento. Este foi um dos alertas da 3ª edição do Citros Show, encerrada nessa quinta-feira (14), em Aracaju. O evento reuniu produtores, especialistas e representantes da indústria para discutir soluções diante de um cenário inédito: produção em alta histórica, mas gargalos na indústria que ameaçam a renda dos citricultores.

Caminhões com laranja aguardam para descarregar na Maratá Sucos, em Estância

De acordo com dados da Secretaria de Agricultura, Sergipe deve colher 417,7 mil toneladas de laranja este ano, um aumento de 10,4% em relação a 2024. Na região norte da Bahia, terceira maior produtora do país, o salto será ainda maior, com estimativa de 632 mil toneladas. Em pomares tecnificados, a produtividade chega a 80 toneladas por hectare — quatro vezes mais que há seis anos e acima da média do tradicional cinturão citrícola paulista.

O engenheiro agrônomo e idealizador do Citros Show, José Hugo Campos de Lima, destacou que o avanço da produção não foi acompanhado pelo crescimento da capacidade industrial. “Se agora já é difícil processar, em dois ou três anos será ainda pior, pois novas áreas entrarão em produção. Isso já está acontecendo. Temos muitos pomares jovens que ainda não começaram a produzir, mas que, quando entrarem, vão aumentar ainda

Segundo o especialista, a solução mais imediata é a instalação de uma terceira unidade industrial para suco de laranja em Sergipe, o que ajudaria a absorver o excedente, reduzir filas, melhorar o fluxo de escoamento e manter preços mais estáveis para o produtor.

Queda de preço

Dados do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Sergipe (Senar/SE) mostram que o valor pago pela tonelada de laranja caiu de R$2.014,00 no segundo semestre de 2024 para R$600,00 em julho de 2025, reflexo direto da dificuldade de processamento. “Sem ampliar o parque industrial, corremos o risco de ver parte dessa fruta se perder ou ser vendida a preços inviáveis, desestimulando o produtor”, reforça Hugo.

Segundo Igor Santos, não adianta produzir se não tem para quem vender

Para ele, a situação exige ação rápida. “A citricultura do Nordeste é altamente produtiva e competitiva no cenário global. Precisamos garantir que essa força no campo se traduza em renda e desenvolvimento, e isso passa por mais capacidade de processamento, melhor logística e valorização do produtor”, concluiu.

Outros especialistas também apontaram que, sem investimentos em infraestrutura e diversificação de mercados, a tendência é que a pressão sobre preços e logística se intensifique nos próximos anos. “A perspectiva é que, assim como neste ano, o próximo também registre uma supersafra. Precisamos urgentemente de incentivos governamentais para melhorar o merchandising da fruta nordestina, viabilizar a abertura de novos mercados e investir na melhoria das rodovias, especialmente a BR-101, eixo fundamental de escoamento. Isso daria mais celeridade para levar a fruta ao destino e manter nossos patamares produtivos. Não adianta produzir se não temos para quem vender”, explica o engenheiro agrônomo Igor Santos, que atua em Sergipe e na Bahia.

Ele também destaca que a região tem proximidade com portos e a fruta já reconhecida em diversos mercados do Nordeste e do Centro-Sul. “Com mais incentivo e apoio, podemos avançar a passos largos e consolidar uma citricultura cada vez mais próspera”, afirmou.

Paralelamente às discussões, a feira de negócios do evento reuniu empresas de máquinas, insumos, tecnologias e serviços voltados ao setor. A edição também prestou homenagens a personalidades que contribuíram para o desenvolvimento da citricultura nordestina e estimulou networking e parcerias comerciais. Segundo estimativa inicial da organização, o volume de negócios desta edição chegou a R$7 milhões.

Fonte: NV Assessoria

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