Governo de Sergipe começa a pagar salários dia 30
20 de julho de 2026
Está mais caro viajar de avião
21 de julho de 2026
Exibir tudo

2026, o mistério se aprofundando ao CAOS

​Por Pedro Quintela Oliveira*

Historiadores e analistas frequentemente apontam a Copa de 1970 como um marco em que o futebol foi explicitamente instrumentalizado pelo regime militar brasileiro para fins de propaganda política. O tricampeonato foi amplamente explorado pelo governo como símbolo de unidade e progresso nacional.

Nas décadas seguintes, à medida que o país retomava a democracia, esse tipo de associação direta entre resultado esportivo e narrativa de poder perdeu força. Ainda assim, uma curiosidade permanece: desde 1994, todas as Copas do Mundo aconteceram no mesmo ano das eleições presidenciais brasileiras. Mas coincidência não significa relação de causa e efeito.

Em 1994, ano do Cão, o Brasil conquistou o tetracampeonato nos Estados Unidos, um título que trouxe alívio e euforia a uma nação que, sob o governo de Itamar Franco, vivia a transição crítica do Plano Real, esforço definitivo para conter a hiperinflação e estabilizar a economia que pavimentou a eleição de Fernando Henrique Cardoso.

Em 1998, ano do Tigre, a Seleção Brasileira chegou à final, mas a derrota por 3 a 0 para a França deixou um gosto amargo enquanto o país, sob o impacto da crise asiática, reelegeu Fernando Henrique Cardoso em um cenário de busca pela manutenção do equilíbrio econômico.

Em 2002, ano do Cavalo, o Brasil alcançou o pentacampeonato sob o comando de Felipão, um triunfo que serviu de pano de fundo para a histórica vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, marcando a primeira vez que o Partido dos Trabalhadores chegava à Presidência após anos de tentativa, simbolizando uma mudança de paradigma na política nacional.

Em 2006, novamente ano do Cão, a eliminação precoce nas quartas de final para a França interrompeu o sonho do hexa, mas o país estava voltado para a disputa eleitoral que resultou na reeleição de Lula, em um momento de expansão de programas sociais e crescimento econômico.

Em 2010, ano do Tigre, o Brasil caiu nas quartas diante da Holanda, despedindo-se da Copa com frustração, enquanto o país vivia o fim do segundo mandato de Lula e elegeu sua sucessora, Dilma Rousseff, em uma transição que prometia a continuidade de um projeto político de consolidação econômica.

Em 2014, ano do Cavalo, o país foi palco de um trauma coletivo com o 7 a 1 para a Alemanha, derrota que ecoou nas ruas em um momento de ebulição social, mas que não impediu Dilma Rousseff de vencer uma acirrada disputa pela reeleição em outubro.

Em 2018, ano do Cão, a Seleção parou nas quartas de final diante da Bélgica, em uma campanha que deixou dúvidas sobre o futuro do futebol nacional, enquanto a política brasileira vivia uma polarização sem precedentes que culminou na eleição de Jair Bolsonaro em um clima de ruptura com os governos anteriores.

Por fim, em 2022, ano do Tigre, o Brasil viu o sonho do hexa escapar nos pênaltis para a Croácia, nas quartas de final, enquanto o país, em um ambiente de profunda divisão, acompanhava o retorno de Lula à Presidência da República em uma das eleições mais disputadas da história republicana.

Chega, então, 2026.

Mais uma vez ano do Cavalo, a Copa do Mundo foi realizada em três países, Estados Unidos, Canadá e México, repetindo em escala inédita o formato multinacional iniciado em 2002. Desta vez, porém, o resultado em campo fugiu do padrão histórico de bons desempenhos brasileiros nesse signo: o Brasil caiu nas oitavas de final para a Noruega, por 2 a 1, no dia 5 de julho, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Foi a eliminação mais precoce da Seleção em Copas do Mundo desde 1990, quando também parou nas oitavas, diante da Argentina.

Também será mais um ano de eleições presidenciais no Brasil.

Quem vencerá a eleição? Ninguém sabe.

É evidente que a política não respeita o horóscopo chinês. Eleições são decididas por fatores econômicos, sociais e conjunturais, não por ciclos zodiacais. Mas, curiosamente, quando se observa especificamente o desempenho do Brasil em cada signo do zodíaco chinês, um padrão de regularidade aparece, exceto em um deles.

Nos anos do Cão, o Brasil oscilou dentro de uma faixa previsível: o tetracampeonato em 1994, seguido de duas eliminações nas quartas de final, em 2006 e 2018. Nos anos do Tigre, o padrão se repetiu com ainda mais consistência: vice-campeonato em 1998 e duas eliminações nas quartas, em 2010 e 2022. Em ambos os signos, o pior resultado do Brasil nunca foi além das quartas de final, um patamar de razoável estabilidade.

Já nos anos do Cavalo, o Brasil não conhece meio-termo. Em 2002, o pentacampeonato, o auge da Seleção neste século. Em 2014, o oposto, o 7 a 1, um dos maiores traumas do futebol brasileiro. E agora, em 2026, a eliminação mais precoce em 36 anos. Três Copas, três desfechos radicalmente opostos, do topo ao fundo do poço, sem meio-termo.

E na política, o padrão do Cavalo se repete?

Voltando a 1930, ano da primeira Copa do Mundo da história, é possível listar quem ocupava a Presidência do Brasil em cada edição do torneio, cruzando com o respectivo signo do zodíaco chinês:

1930 (Cavalo): Washington Luís

1934 (Cão): Getúlio Vargas

1938 (Tigre): Getúlio Vargas

1950 (Tigre): Eurico Gaspar Dutra

1954 (Cavalo): Getúlio Vargas

1958 (Cão): Juscelino Kubitschek

1962 (Tigre): João Goulart

1966 (Cavalo): Castelo Branco

1970 (Cão): Emílio Garrastazu Médici

1974 (Tigre): Ernesto Geisel

1978 (Cavalo): Ernesto Geisel

1982 (Cão): João Figueiredo

1986 (Tigre): José Sarney

1990 (Cavalo): Fernando Collor de Mello

1994 (Cão): Itamar Franco

1998 (Tigre): Fernando Henrique Cardoso

2002 (Cavalo): Fernando Henrique Cardoso

2006 (Cão): Lula

2010 (Tigre): Lula

2014 (Cavalo): Dilma Rousseff

2018 (Cão): Michel Temer

2022 (Tigre): Jair Bolsonaro

2026 (Cavalo): Lula

Olhando para essa lista, um detalhe salta aos olhos: boa parte dos anos do Cavalo coincidiu com os momentos de maior turbulência institucional do Brasil republicano. Em 1930, poucos meses depois da Copa, Washington Luís foi deposto pela Revolução liderada por Getúlio Vargas. Em 1954, semanas após o fim do Mundial, o próprio Vargas cometeu suicídio em meio a uma crise política aguda. Em 1966, o Cavalo encontrou o país sob um regime militar recém-instalado, com Castelo Branco à frente do primeiro governo da ditadura. Em 1990, Fernando Collor, recém-empossado, seguiria rumo a um processo de impeachment dois anos depois. Em 2014, Dilma Rousseff venceu a reeleição, mas seu segundo mandato terminaria interrompido pelo impeachment de 2016.

Não é uma regra sem exceções: 1978 e 2002 foram anos do Cavalo de relativa estabilidade institucional, mas cada um à sua maneira também guarda um significado especial.

Em 1978, o Brasil vivia o auge do regime militar sob Ernesto Geisel, que conduzia o processo de abertura política lenta e gradual, iniciado por ele mesmo. Não houve ruptura abrupta como em outros anos do Cavalo, mas o país ainda estava sob ditadura, e o próprio conceito de “estabilidade” precisa ser lido com ressalvas: era a estabilidade de um regime autoritário, não de uma democracia plena.

Já 2002 foi excepcional por outro motivo, e talvez o mais simbólico de toda a lista: foi a primeira vez na história que o Partido dos Trabalhadores venceu uma eleição presidencial no Brasil, com Luiz Inácio Lula da Silva superando, na quarta tentativa, uma barreira que havia resistido desde a redemocratização. Um ano do Cavalo que, em vez de trazer crise ou colapso institucional, trouxe uma virada histórica genuína: a ascensão de uma força política até então marginalizada no jogo do poder presidencial, coincidindo com o pentacampeonato do Brasil no mesmo ano. Se em 1930, 1954, 1966, 1990 e 2014 o Cavalo trouxe rupturas e crises, em 2002 ele trouxe uma ruptura de outro tipo: não institucional, mas de reconfiguração do poder, com a chegada ao Planalto de um projeto político inédito até então.

Isso reforça, na verdade, o próprio argumento central: o Cavalo não tem um padrão único de “crise” ou “estabilidade”. Ele parece, isso sim, ser o signo das viradas, sejam elas para o colapso (1930, 1954, 1966, 1990, 2014) ou para a virada histórica (2002). Já 1978, dentro de um contexto ainda autoritário, é o caso mais ambíguo da lista.

O histórico, porém, mostra algo interessante: vitórias, derrotas, títulos, eliminações, mudanças de governo e reeleições aconteceram em todos esses ciclos. Não existe um padrão que permita afirmar que o resultado da Copa influencia o resultado das urnas, ou que a política determine o desempenho da Seleção. Mas existe, sim, um padrão que diz respeito só ao futebol, e possivelmente também à política: enquanto Cão e Tigre trazem certa previsibilidade, o Cavalo parece condenar o Brasil, dentro e fora de campo, ao imprevisível, ora ao topo do mundo, ora ao fundo do poço.

A história registra coincidências. Não provas.

E 2026 será apenas mais um capítulo dessa curiosa convergência entre Copa do Mundo, eleições presidenciais e o ciclo do Ano do Cavalo, o signo que, para o Brasil, nunca se repete.

*Pedro Quintela Oliveira é estudante do curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda da UNIT (Universidade Tiradentes).

O texto acima é opinião do autor e não representa necessariamente o pensamento do site Destaquenoticias.

Compartilhe:

1 Comment

  1. Maria Nely Santos Ribeiro disse:

    Se houvesse opção o que diria o kkkkk

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *