

As últimas semanas foram marcadas por uma explosão de interesse popular pelas festas de São João, especialmente no Nordeste brasileiro. Segundo dados da plataforma Google Trends, que monitora as buscas feitas no Google, o termo “São João” atingiu seu pico de popularidade no último final de semana, alcançando a nota máxima de 100 no gráfico da plataforma—o que representa o maior volume de buscas em todo o período analisado.
Essa escalada no interesse digital, no entanto, já vinha sendo observada há pelo menos um mês, quando o índice geral estava na marca de 30. Desde então, houve um crescimento contínuo até o topo, demonstrando a força das festividades juninas na região.
Os estados que mais concentraram as buscas foram Paraíba, Bahia e Pernambuco, confirmando o protagonismo histórico do Nordeste na preservação e reinvenção das festas juninas. Sergipe e Alagoas ficam atrás dos três estados mais buscados. Em outras regiões do Brasil, o interesse foi significativamente menor. Em São Paulo, o índice de buscas ficou em 13, enquanto no Rio de Janeiro chegou a 18. Nos estados do Acre e do Amazonas, o índice foi de apenas 5 — os mais baixos do país.
Festa, cultura e economia
As festas juninas no Nordeste vão muito além de uma manifestação folclórica: elas são, para muitos municípios, o principal evento do ano, com impactos diretos no comércio, no turismo e na geração de empregos temporários. Campina Grande (PB), Caruaru (PE) e Patos (PB) são exemplos de cidades que transformaram os festejos em grandes eventos urbanos e comerciais, que atraem multidões e aquecem a economia local. Elas também se destacam na plataforma Google Trends.
Apesar da dimensão que essas festas tomaram, com palcos monumentais, transmissão ao vivo e cobertura midiática, especialistas destacam que elas não perderam sua “aura”. Para eles, a transformação das festas juninas em produtos da indústria cultural não significou a perda de sua magia ou sacralidade, diferentemente do que supunha, por exemplo, o filósofo alemão Walter Benjamin.
Embora ainda não existam estudos conclusivos sobre os motivos de tamanha conexão entre o povo nordestino e as festas juninas, algumas hipóteses ganham força entre os estudiosos. Uma delas é o fato de que junho é tradicionalmente o mês da colheita de alimentos produzidos pela agricultura familiar. Após o início das chuvas, que geralmente ocorre em março, as plantações amadurecem justamente em junho—o que transforma o período em uma época de fartura, em contraste com a memória dolorosa da seca e da fome.

Fonte: Portal Brasil 247