

Da próxima sexta-feira (27) até domingo (1º) que vem, a cidade de São Cristóvão se tornará o principal ponto de fé e devoção católica de Sergipe graças à realização da tradicional Romaria de Nosso Senhor dos Passos. A tradição existe há mais de 200 anos e ocorre sempre no período quaresmal, em preparação para a Páscoa Reconhecendo a relevância turística, cultural e espiritual do evento, a Prefeitura local investiu mais de R$ 200 mil em logística e estrutura para acolher romeiros e visitantes com organização e segurança.
Ao longo da programação da festa religiosa, são realizadas missas campais na Praça Senhor dos Passos (Praça do Carmo), além de procissões de penitências, e a emblemática Procissão do Encontro, marcada por um forte simbolismo e emoção para os devotos. O encontro das imagens acontece na Praça São Francisco, reunindo uma multidão de fiéis. A festividade é vivenciada intensamente pelos sancristovenses e por visitantes de todo o Brasil.
As atividades religiosas têm início no Santuário São Judas Tadeu, popularmente conhecido como a Igreja dos Capuchinhos, em Aracaju, seguida pela tradicional caminhada penitencial com a imagem de Senhor dos Passos até o Santuário Nossa Senhora da Vitória, no Centro Histórico de São Cristóvão, um percurso de aproximadamente 21 quilômetros.
Segundo historiadores, a Romaria teve origem a partir da segunda metade do século 18, após dois pescadores terem achado uma caixa boiando no rio Paramopama, com a inscrição: “Para a Cidade de Sergipe d’El Rey”. Na caixa havia a imagem do Senhor dos Passos, considerada uma das mais belas no país. Os pescadores levaram a imagem para a Igreja da Ordem Terceira do Carmo de São Cristóvão. A partir de então começou a mais expressiva manifestação penitencial de Sergipe.
Ex-votos
A entrega de ex-votos durante os três dias da Romaria de Nosso Senhor dos Passos já virou uma marca registrada da fé cristã dos sergipanos que comparecem a celebração cultural/religiosa. Confeccionados a partir de argila, madeira, pinturas, desenhos ou cera, o ex-voto tem um simbolismo especial para quem teve uma graça alcançada e podem ser encontradas em diversos formatos. Muitas dessas peças representam o corpo humano (braços, cabeça, pernas, mão, dentre outras), dadas como forma de agradecimento por uma graça alcançada.
“São peças voltadas para um compromisso de receber a graça. Elas são diversas, algumas até curiosas, como pessoas que aprenderam a ler, gente que aprendeu a tocar violão e deixou o violão no espaço, mas a maioria são representações das partes do corpo que retratam a cura de doenças. É um espaço que abriga o cotidiano da fé de um povo, não só de São Cristóvão, mas de todo o Sergipe”, explicou o historiador Adailton Andrade.
Fonte e fotos: Secom/PMSC