

A celebração em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Aracaju, reúne todos os anos duas tradições que expressam a identidade cultural e religiosa da capital sergipana: o novenário católico dedicado à santa e a Lavagem da Conceição, realizada pelos povos de terreiro em reverência a Oxum. No sincretismo religioso, Nossa Senhora da Conceição é associada à orixá das águas doces, da fertilidade, da riqueza e do amor. Relação que, ao longo de décadas, moldou práticas, crenças e símbolos da cidade.
Na história da fé católica, a devoção local à Imaculada Conceição remonta ao período da transferência da capital de São Cristóvão para Aracaju, entre 1855 e 1860. Em 1875, foi concluída a Catedral Metropolitana, considerada a Igreja Mãe da Arquidiocese, consolidando a presença da santa como padroeira da cidade.
Ao lado da tradição católica, os povos de terreiro também celebram, no dia 8 de dezembro, a força de Oxum por meio da Lavagem da Conceição, que se tornou um dos rituais mais marcantes da capital. O cortejo sai da Colina do Santo Antônio em direção à Catedral, onde ocorre a lavagem das escadarias, gesto simbólico que une fé, resistência e ancestralidade.
Programação
Com o tema ‘Celebremos os 150 anos da Catedral, sob o patrocínio da Imaculada, Mãe da Esperança’, o novenário de Nossa Senhora da Conceição teve início em 29 de novembro e culmina nesta segunda-feira, 8. A programação inclui missa dos devotos às 7h; missa solene às 9h30, presidida pelo arcebispo Dom Josafá Menezes; celebração às 15h30 seguida da consagração; e, às 16h30, procissão pelas ruas da cidade, retornando à Catedral. Às 18h, será realizada a missa de encerramento, dedicada a agradecer os feitos atribuídos à intercessão da santa.
Povos de terreiro
Neste dia 8 de dezembro, às 8h, começa a concentração para a Lavagem da Conceição na Colina do Santo Antônio. A saída ocorre às 9h, com apresentação inicial sobre o tema escolhido para o ano, que aborda a missão dos iniciados como guardiões do sagrado. O cortejo segue pelas avenidas Simeão Sobral, João Ribeiro e Ivo do Prado (Rua da Frente), com parada no Mercado para homenagem das mulheres das flores a Oxum. No percurso, também são celebrados expositores que apresentaram obras inspiradas na lavagem. O grupo realiza ainda o tradicional encontro entre o rio e o mar na Ponte do Imperador, onde é entregue o balaio ritual. O cortejo segue então para a Catedral, encerrando com a lavagem das escadarias.
Fonte e foto: Secom/PMA