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Os caminhos errados do PSB sergipano

Por Gilvan Manoel *

Foi no segundo turno da eleição presidencial de 2014 e não nas eleições municipais de 2016, como relatou semana passada o artigo “Rogério e os Valadares estão conversando”, que o senador Antonio Carlos Valadares (PSB) iniciou o processo de rompimento com o grupo político que encontra-se no poder desde 2006, quando Marcelo Déda (PT) foi eleito governador de Sergipe, acabando com a dobradinha João Alves Filho/Albano Franco, que se revezava no poder desde a primeira eleição direta para os governos estaduais, em 1982, na reta final da longa ditadura.

Na eleição de 2014 o PSB lançou a candidatura a presidente de Eduardo Campos, que acabou interrompida com o trágico acidente aéreo. Marina Silva se transformou na candidata, sem êxito no primeiro turno.

Passado o primeiro turno, com a reeleição de Jackson Barreto (MDB), com o apoio do PSB, JB convocou uma reunião com os aliados num pequeno hotel da orla, no fundo do Farol, para definir a estratégia da campanha de Dilma Rousseff (PT) no segundo turno. Foi aí que veio a novidade: o senador Valadares disse que não tinha mais compromissos com o PT e que a partir daquele momento assumiria a campanha do então senador Aécio Neves (PSDB-MG), adversário de Dilma.

A decisão de Valadares surpreendeu a todos, em função da ligação histórica do PSB com o PT e a forte aliança da frente no estado. Para antigos aliados, o senador avaliava que dificilmente Dilma conseguiria a reeleição e que a vitória de Aécio, seu velho parceiro no Senado, permitiria que ele pudesse assumir cargo estratégico no governo federal e, automaticamente, passar a mandar na política sergipana.

Na reunião do hotel atrás do farol, Jackson deu um murro na mesa indignado com a posição do senador e o PSB sofreu as primeiras baixas. O vice-governador eleito Belivaldo Chagas se recusou a acompanhar o senador e disse que o seu lugar era ao lado dos aliados que haviam vencido as eleições estaduais, e participou ativamente da campanha de Dilma no segundo turno.

No primeiro turno, Dilma havia vencido a eleição em Sergipe com 41,59% dos votos contra 33,55% de Aécio. No segundo turno Dilma obteve 67,01% dos votos contra 32,99% dos votos, mostrando que o engajamento do senador Valadares não ajudou em nada na performance de Aécio.

Mas o seu compromisso com o senador tucano não era garantir a vitória no estado, mas ajudar na engrenagem do governo no no Congresso Nacional, em função da sua experiência de 20 anos seguidos como senador. Valadares foi um dos inúmeros parlamentares que no dia 26 de outubro de 2014 se deslocou para São Paulo para comemorar a vitória de Aécio junto ao empresariado ligado a Fiesp. No início da noite, uma hora depois de iniciada a apuração, uma emissora de tv chegou a anunciou a vitória do tucano, logo desmentida pela conclusão da apuração – Dilma venceu com 51,64% dos votos contra 48,36% de Aécio.

Passadas as eleições, em Sergipe o PSB voltou a se acomodar mais uma vez no bloco governista, enquanto a nível nacional o senador Valadares participava das conspirações de Aécio que culminaram com o impeachment da presidente Dilma e o caos em que o país se encontra hoje com Jair Bolsonaro.

Como havia sido o candidato do bloco governista à Prefeitura de Aracaju em 2012, derrotado por João Alves Filho, Valadares Filho continuou transitando bem entre os governistas, almejando uma nova indicação em 2016. Só que Edvaldo Nogueira, prefeito em 2012 que apoiou a sua candidatura, também pretendia voltar à disputa. Às vésperas do São João, o então governador Jackson Barreto anunciou a opção por Edvaldo, após consulta entre os líderes dos partidos aliados, com Eliane Aquino (PT) como vice.

De lá pra cá é o que se sabe: o PSB foi mesmo para a oposição, perdeu todos os cargos eletivos que tinha desde 1994 quando foi formado o bloco e Valadares se elegeu para a primeira vez para o Senado. Como o PT também caminha para oposição no estado, como já ocorreu em Aracaju nas eleições de 2020, a reaproximação entre os dois partidos é real, a partir de Lula.

No processo de desmonte do PSB sergipano, na terça-feira (13), o pleno do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SE) julgou procedente o pedido da defesa do deputado estadual Luciano Pimentel para desfiliação do PSB. Reconheceu justa causa para o parlamentar deixar a legenda e se filiar a um outro partido sem que seja punido pela legislação eleitoral. Luciano alega perseguição da direção estadual do partido desde a campanha de 2018. No dia seguinte, o senador Valadares divulgou longo texto em suas redes sociais atacando o antigo aliado. Entre outros adjetivos, tratou o deputado como “covarde, ingrato e mentiroso”.

Nas tentativas de vôo solo, o PSB sergipano virou um partido pequeno, com os Valadares e o ex-vereador Élber Batalha sem mandatos. Precisa de alianças para voltar a crescer.

* É editor do Jornal do Dia (Artigo publicado originalmente no Jornal do Dia)

 

 

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