

“Quando a imprensa percebeu que a crônica carnavalesca vendia jornal, logo começaram a surgir especialistas na cobertura da festa. Esses profissionais, na verdade, tinham ‘um pé no jornal e outro nos terreiros das escolas de samba’, como afirma o pesquisador Eduardo Granja Coutinho, autor do livro Os cronistas de Momo – imprensa e carnaval na Primeira República (Editora UFRJ)”, escreveu o jornalista José Reinaldo Marques, no site da Associação Brasileira de Imprensa(ABI).
Carnavais estampavam jornais do século passado com notícias sobre grandes bailes e festas. Exemplares de jornais da época contam um pouco desta história. Na década de 1920, a crônica carnavalesca já havia se tornado uma modalidade importante e muito esperada pelos leitores. Os dias de folia são retratados, naquela década, como a maior festa nacional feita pelo povo.
Já a jornalista Giulia Granchi, da BBC News Brasil em São Paulo, relata no artigo “A história do marcante Carnaval de 1919, o primeiro após a pandemia da gripe espanhola” que “com o fim da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), navios vindos da Europa trouxeram, junto aos passageiros, a gripe espanhola, causada por um subtipo do vírus influenza e que marcaria a história moderna como a pior pandemia antes da chegada da covid-19.
Segundo Giulia, “quando o ano de 1918 terminou, aqueles que sobreviveram já haviam criado imunidade contra a doença, e aos poucos, os casos foram diminuindo. Foi chegada a hora de “tirar o atraso” e celebrar tudo que não havia sido possível nos anos anteriores – pelas chuvas que marcaram o Carnaval de 1916 e 1917, pela crise econômica e clima de guerra em 1918, e principalmente pela doença que tirou tantas vidas”.
A jornalista da BBC News Brasil afirma que “em 1919, os blocos carnavalescos de rua como conhecemos hoje ainda não existiam. Mas grandes grupos chamados de sociedades, — que eram estabelecidos geralmente pela elite, mas com grande acompanhamento popular— levavam milhares de pessoas às ruas, principalmente na capital, o Rio de Janeiro”, frisa.
De acordo com Giulia Granchim diferentes também das grandes escolas de samba atuais, as sociedades não adotavam um tema único para as apresentações, mas desfilavam diferentes histórias, não necessariamente conectadas umas as outras. Entre os temas dos desfiles, alguns dos grupos adotaram a memória dolorosa da peste como sátira.