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Nordeste transforma sabores em rotas de turismo

Pratos à base de mariscos são especialidades das marisqueiras de Indiaroba e São Cristóvão

Imagine uma viagem onde o guia é o sabor. Onde cada caldinho de frutos do mar conta a história de uma marisqueira que conhece as marés como ninguém, e cada doce de fruta nativa preserva o saber de gerações de quilombolas. Esta não é uma viagem fictícia; é a realidade que está sendo construída, com sabores locais e muito esforço e criatividade em Sergipe, Alagoas e Pernambuco.

Moqueca de peixe na folha da bananeira, uma iguaria produzida em São Cristóvão

Um projeto transformador, batizado de Paisagens Alimentares, está redesenhando o mapa turístico do Nordeste. Dessa forma, troca o convencional pelo autêntico. Coordenado pela Embrapa Alimentos e Territórios e financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a iniciativa prova que a verdadeira inovação está na valorização do que já existe: a cultura, a comunidade e a comida de verdade.

A comida conta uma história

A princípio, a proposta do projeto parte de um conceito simples e profundo: os alimentos são muito mais que nutrição; eles carregam histórias, identidades e modos de vida. A partir daí, nasceu a ideia de estruturar rotas de turismo de base comunitária onde o protagonista é o saber local.

Através de diagnósticos participativos, oficinas e muito diálogo, o projeto consolidou o conceito de “Paisagens Alimentares” – espaços geográficos vibrantes que conectam a biodiversidade única do Semiárido, a produção agroalimentar, a história dos alimentos e a cultura local. A ideia é permitir que o turista não apenas visite, mas vivencie a essência de um território através de seus sabores.

Rotas Sabores e Saberes

O legado mais tangível do projeto são as seis rotas turísticas estruturadas, cada uma com sua própria identidade e sabor

Sergipe:

“Cidade Mãe de Sergipe” (São Cristóvão): Reconta a miscigenação brasileira através do coco, da mandioca e do açúcar.

“Delícias da Terra” (Indiaroba): Valoriza os saberes das mulheres marisqueiras e catadoras de mangaba, fruto símbolo do estado.

Alagoas:

“Da Caatinga aos Cânions”: Celebra a biodiversidade com pratos feitos de ingredientes nativos.

“Agricultura Familiar na Serra das Pias” (Palmeira dos Índios): Aproxima o visitante do universo da agroecologia e da jabuticaba.

Pernambuco:

“Riquezas Ancestrais e do Manguezal” (Sirinhaém/Rio Formoso): Uma imersão nos modos de vida de quilombolas e marisqueiras, onde terra e mar se entrelaçam.

O Impacto em Números e Vidas

Ao mesmo tempo, o projeto atuou diretamente em cinco territórios nos estados de Alagoas, Pernambuco e Sergipe, mas seu impacto ecoou muito mais longe.

Estado Pessoas Impactadas Diretamente Impacto Indireto Estimado Principais Comunidades Envolvidas
Sergipe ~ 2.800 Pontal, Preguiça, Terra Caída (Indiaroba), São Cristóvão
Pernambuco ~ 1.200 Sirinhaém, Rio Formoso (APA de Guadalupe)
Alagoas ~ 1.000 Olho d’Água do Casado, Palmeira dos Índios
TOTAL 500+ 5.000+

Fonte: Portal NE9 e Projeto Paisagens Alimentares (Embrapa/BID) (Foto: PMSC)

 

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