
O Conselho Regional de Medicina de Sergipe (CRM-SE) e o Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed) denunciaram falhas graves em escalas e o atraso de três meses nos salários dos profissionais que atuam na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, em Aracaju. A denúncia foi feita após uma comissão do CRM e do Sindimed ter fiscalizado aquela unidade de saúde. A atuação das duas unidades de classe ocorreu, nesse domingo (1º), após denúncias recorrentes de precarização da escala médica e de atraso salarial dos neonatologistas.
De acordo com a comissão, a Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Convencional (Ucinco), que dispõe de 25 leitos, apresentava déficit de profissionais. O ideal, segundo as entidades, seria a presença de dois médicos diaristas e dois plantonistas. No entanto, no domingo havia apenas três médicos escalados, faltando um plantonista. Já na Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Canguru (Ucinca), com 14 leitos operacionais, foi identificado apenas um plantonista em atividade, quando o adequado seriam dois profissionais.
Outro dado que chamou a atenção diz respeito ao vínculo dos especialistas. Dos 91 neonatologistas que atuam na maternidade, apenas 20 são concursados, o que, segundo as entidades, evidencia um quadro de forte dependência de contratos terceirizados.
Atrasos salariais
Durante a fiscalização, o presidente do Sindimed, Helton Monteiro, fez um alerta direto ao governo de Sergipe e à Secretaria de Estado da Saúde em relação aos atrasos salariais. “Diante desse cenário, o CRM e o Sindimed perguntam ao governador Fábio Mitidieri: será que esses profissionais estão deixando de dar plantão porque seus salários estão atrasados? Estamos no mês de março e os médicos neonatologistas não receberam os salários referentes a dezembro, janeiro e fevereiro último. Essa situação grave impacta, inclusive, no crescimento da mortalidade neonatal evitável”, afirmou.
Segundo ele, o aumento de óbitos infantis evitáveis nos últimos anos está diretamente relacionado às fragilidades estruturais e administrativas. “Pedimos providências imediatas”, reforçou. O CRM e o Sindimed atribuem a situação à má gestão do contrato firmado com o Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS), Organização Social (OS) responsável pela contratação dos médicos na unidade.
A comissão de fiscalização foi composta pelo presidente do CRM, Jilvan Pinto Monteiro, pelo presidente do Sindimed, Helton Monteiro, pela diretora do CRM, Andreia Diniz Franco Maciel Silva e pelo coordenador de fiscalização do CRM, Alexandre Pereira.
Fonte e foto: Sindimed/SE