
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou os resultados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), inserido no Plano Plurianual 2023–2025, que monitora a presença dessas substâncias nos alimentos mais consumidos no Brasil. Dos 14 alimentos analisados o pepino aparece no topo da lista, com 46% das amostras irregulares, seguido pela laranja (39%) e pela couve (35%). O programa analisa exclusivamente alimentos in natura.
Ao todo, 3.084 amostras – coletadas em estabelecimentos varejistas localizados em 88 municípios brasileiros em todos os estados e no Distrito Federal- foram analisadas em busca de 338 agrotóxicos diferentes. Além dos já citados uva, a maçã, a abobrinha e o mamão abobrinha também apresentaram índices elevados. Completam a lista aveia, banana, cebola, milho, pera, soja e trigo.
Segundo especialistas, apesar de o percentual geral de irregularidades ser o menor desde 2017, os dados não devem ser analisados de forma ingênua. Mudanças nos critérios de análise, a retirada de alguns alimentos do monitoramento e a flexibilização de regras ajudam a ocultar a dimensão real do problema.
Além disso, o recorte dessa análise não exclui outro problema grave presente na alimentação da população brasileira: os alimentos ultraprocessados. “Se os dados sobre alimentos in natura já são preocupantes, a situação dos ultraprocessados é ainda mais alarmante”, alerta o Xepa Ativismo, rede de ativismo alimentar da Mídia Ninja.
Nas suas redes sociais, o canal aponta outra pesquisa alarmante: “Tem veneno nesse pacote”, realizada pelo Idec. que identificou a presença de resíduos de agrotóxicos em produtos populares, inclusive aqueles voltados ao público infantil, como bolos prontos e bebidas lácteas. Dos 24 produtos ultraprocessados analisados na terceira e mais recente edição do estudo, 12 apresentaram resíduos de agrotóxicos, e o glifosato foi identificado em sete das amostras.
Recomendações da agência
Lave bem os alimentos: lavar frutas, verduras e legumes em água corrente pode ajudar a reduzir a presença de resíduos de agrotóxicos;
Escolha alimentos rotulados com a identificação do produtor: esta ação pode contribuir para o comprometimento dos produtores em relação à qualidade dos seus produtos e à adoção das boas práticas agrícolas no campo. Dessa forma, eles colaboram e estimulam as iniciativas dos programas estaduais e das redes varejistas de garantir a rastreabilidade e o controle da qualidade dos alimentos.
Prefira o consumo de alimentos da época ou aqueles produzidos com técnicas de manejo integrado de pragas, que, em geral, recebem carga menor de produtos, o que reduz a exposição a agrotóxicos.
Fonte: Revista Fórum