

A tubulação da Adutora do Semiárido rompeu nas imediações do povoado Lagoa do Rancho, município de Porto da Folha, afetando a distribuição de água no semiárido sergipano. Da última vez que esta adutora rompeu, em março passado, cerca de 100 mil pessoas ficaram sem água nas torneiras. Por conta do rompimento desta quarta-feira, estão sem água os municípios de Nossa Senhora da Glória, Porto da Folha, Nossa Senhora Aparecida, Frei Paulo, Carira, Pinhão, Pedra Mole, Feira Nova e São Miguel do Aleixo. Em casos de necessidade, a empresa Iguá disponibiliza o contato 0800 400 4482.
A Adutora do Semiárido rompe com frequência a sua grossa tubulação deixando desabastecidos os moradores do sertão sergipano. E por que o equipamento apresenta tantos defeitos? Oficialmente, ninguém nunca informou o que tem causado os constantes rompimentos, porém, à boca miúda, engenheiros da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) garantem que o problema está no material usado: tubos de RPVC (Plástico Reforçado com Fibra de Vidro).
De acordo com engenheiros que participaram da implantação da Adutora do Semiárido, era para ser utilizada tubulação de aço, porém havia uma exigência em Brasília para que os canos fossem de RPVC, à base de resina poliéster, fibras de vidro, cargas minerais e aditivos. Não adiantaram as pressões e argumentos da Deso em favor da tubulação de metal, tendo, afinal, o governo estadual cedido, pois só assim garantiria o financiamento para iniciar as obras da adutora.
Para estes engenheiros, que não aceitam se identificar, a pressão da água no começo da adutora é muito forte, provocando movimentos constantes na tubulação e, consequentemente, o seu rompimento. O problema tem ocorrido nos primeiros cinco quilômetros, justamente onde a pressão é muito elevada. Por ser uma obra nova – a adutora começou a operar em 2010 – dificilmente o governo estadual conseguirá financiamento para substituir a tubulação de RPVC, alternativa sugerida pelos técnicos para resolver os constantes problemas. Para eles, não adianta consertar, pois os tubos vão continuar se rompendo.
Mais de 50 km de extensão
Com 56,2 quilômetros de extensão, a adutora sai de Porto da Folha, a 190 quilômetros de Aracaju – ao lado da Adutora do Alto Sertão – atravessa o município de Gararu e chega ao reservatório em Nossa Senhora da Glória, localizada a 126 quilômetros da capital.
O flutuante de captação de água no Rio São Francisco tem capacidade de bombear 300 litros de água por segundo. Até chegar à Estação de Tratamento de Água (ETA), localizada também em Porto da Folha, a tubulação de 600 mm percorre quase seis quilômetros de extensão transportando água bruta que passa pela primeira das três estações elevatórias que estão implantadas ao longo do percurso da adutora.
Por Destaquenotícias (Foto: redes sociais)