

O barco pesqueiro, que diariamente faz a travessia entre a Ilha Grande e a cidade de São Cristóvão, atracou no conhecido Porto do Dedé, no povoado Pedreiras, para fazer a travessia de uma carga nunca antes realizada. Desta vez, a embarcação do barqueiro Eliziário dos Santos, morador da região, transportava uma equipe de Saúde da Família levando as tão esperadas vacinas contra a covid-19.
Para Eliziário, levar os imunizantes para sua comunidade foi uma tarefa bastante gratificante: “Me sinto muito feliz em ter trazido a vacina para a Ilha. Agradeço ao SUS e às enfermeiras”, afirmou. A equipe de Saúde da Família, formada por uma enfermeira, uma técnica de enfermagem e uma agente comunitária de saúde, realizou a imunização de toda a população quilombola maior 18 anos residente na ilha Grande. Ao todo, foram vacinados 30 pessoas.
A primeira pessoa imunizada contra a convid-19 da ilha foi Luciene Santos Leal: “É um privilégio ser a primeira vacinada do nosso povoado”, disse. Entre os vacinados também estava dona Maria Madalena dos Santos, 75 anos, marisqueira e líder comunitária da região. “Nasci e me criei aqui. Tive 14 filhos, passei um tempo fora, mas voltei para minha ilha”, conta, satisfeira por ter sido vacinada.
Dificuldade de acesso
A enfermeira Guadalupe Nicácio reforça que há uma dificuldade no acesso dessa população à unidade de saúde mais próxima, assim como é difícil para a equipe de saúde se locomover até a ilha. “A vacina é a esperança que toda a população do mundo espera para colocar um ponto final nessa pandemia. É a esperança de todos nós, e para eles não é diferente. Trazer essa dose de esperança para essa população tão carente de atenção e acesso à saúde é muito gratificante para mim”, ressaltou Guadalupe.
A comunidade quilombola da Ilha Grande é formada por descendentes de pessoas escravizadas, que se refugiavam em quilombos durante o regime escravocrata que perdurou por mais de 400 anos no nosso país. Nuquele povoado cercado pelo Rio Vaza-Barris vivem atualmente 35 quilombolas. A previsão da secretaria de saúde de São Cristóvão é retornar à ilha em 8 e julho, após o período de 3 meses, para a aplicação da segunda dose da vacina AstraZeneca.