

Cerca 623 pessoas vivem em situação de rua na capital sergipana. É o que revela o inédito relatório final do Censo da População em Situação de Rua de Aracaju é consolidado pela Universidade Federal de Sergipe. Desde 2023, a UFS atuou por meio de um projeto de extensão, assessorando o Grupo de Trabalho responsável pelo censo, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e com os movimentos sociais.
O número apresentado pelo relatório expõe um descompasso importante: o total de vagas disponíveis em abrigos municipais e estaduais gira em torno de 120 a 150. “Esse dado, por si só, já aponta a necessidade de ampliação da rede de acolhimento. Se queremos construir políticas públicas efetivas, é preciso dimensionar adequadamente os equipamentos sociais”, pontua o psicólogo Helmir Oliveira, vinculado ao Departamento de Educação em Saúde do campus da UFS de Lagarto.
O censo também incluiu perguntas abertas sobre sonhos e perspectivas de futuro. A maioria dos participantes apontou o desejo de ter moradia, acesso ao trabalho e oportunidades de capacitação. “Isso desconstrói o discurso de que as pessoas estão na rua porque querem. Há um desejo explícito de mudança de condição, de acesso à moradia e ao mercado de trabalho. O censo oferece ao poder público um diagnóstico fundamentado na escuta direta dessa população, permitindo ações mais alinhadas às suas reais necessidades”, acrescenta.
Perfil de quem vive nas ruas de Aracaju
– A maioria da população em situação de rua de Aracaju tem entre 30 e 47 anos;
– 78,7% são pretos e pardos e 17,4% são de pele branca;
– 81,1% são do sexo masculino e 16,2 são do sexo feminino;
– 36% das pessoas vivem nas ruas há mais de cinco anos;
– 67,9% sabem ler e escrever, enquanto 12,96% têm dificuldades e 11,73% não sabem ler e nem escrever;
– 2,47% recebem algum benefício financeiro;
– 40% relataram sofrer violência por parte de agentes de segurança pública.
Fonte: UFS (Foto: Ilustração)