Estão abertas até o dia 20 de setembro deste ano, as inscrições para a segunda edição do prêmio João Sapateiro de Poesia Popular, que deve ocorrer no dia 09 de outubro, às 18h, na oficina-escola, em Laranjeiras. O evento é promovido pela Prefeitura da Cidade. Esta iniciativa destina-se a todos os autores de poesia popular de Sergipe, nascidos no Estado ou com residência na região.
As obras concorrentes deverão ter como tema os 150 anos de João Ribeiro. Como também, todos os poemas devem ser inéditos (nunca publicados em livro, jornais, revistas, etc.). No âmbito da poesia popular, podem ser entregues obras em qualquer modalidade (quadras, quintilhas, sextilhas, décimas etc.). Cada concorrente pode apresentar mais do que uma obra poética, desde que as envie separadamente e com pseudônimos diferentes, cada obra deverá ser apresentada com 04 folhas A4. Estas devem ser grafadas, numeradas e assinadas com pseudônimo. Além disso, as obras entregues, não deverão constar qualquer indicação sobre a identidade do concorrente, sob pena de exclusão.
Conheça a história de João Sapateiro - João Silva Franco trabalhou duro para sobreviver. Negro, quase dois metros de altura, teve a vida marcada pelo sobrenome postiço. Profissionalizou-se como sapateiro, remendando o couro, trocando o salto, pondo meia sola nos sapatos da população, independentemente do poder aquisitivo de cada pessoa. Quem podia, é claro, comprava sapato novo, em Aracaju, ou em outra qualquer cidade do País. Mas, quem tinha dinheiro curto, e queria fazer bonito na festa de São Benedito, que é colada na festa de Santos Reis, encerrando o ciclo natalino, entregava seu sapato velho a João Sapateiro, estabelecido nas cercanias do Mercado Municipal. Discreto, mas de boa conversa, o sapateiro exibia na sua oficina de trabalho, folhas de papel pautado, repletas de palavras escritas em letras de forma, fixadas nas paredes e nos poucos móveis do seu canto laboral. Eram trovas, pequenos e longos poemas, que surpreendiam a freguesia. João Silva Franco passou a ser conhecido como João Sapateiro, e reconhecido como o sapateiro poeta.
João Silva Franco era um lírico, mas não cantava apenas o amor. Suas trovas estavam afiadas como navalhas, cortando com cada verso o tecido da realidade. Não calava diante das injustiças, mesmo quando a doçura de seu jeito simples e bom acolhia a todos. Numa de suas quadras, publicada na primeira antologia dos seus versos (Aracaju: Nova Editora de Sergipe, 1965), João Sapateiro corrigia a admoestação de São Paulo, que na segunda Carta aos Tessalonicenses exortava ao trabalho, como única forma de sobrevivência. O poeta, tomado de justa ira, tingiu as linhas do papel pautado com letras grandes, todas maiúsculas letras de imprensa, que diziam:
?QUEM NÃO TRABALHA NÃO COME
É CONVERSA MUITO FALHA,
PORQUE SÓ VEMOS COM FOME
O POVO QUE MAIS TRABALHA.?
Ele mesmo, trabalhador e poeta, glória entre os simples, da grande e rica Laranjeiras, fez do pé de cabra e do martelo, da faca afiada e do couro, um ofício fino, para embelezar os pés dos seus contemporâneos, como fez da palavra uma arma, manejada para criar beleza, com a coragem dos bons e dos justos. Os sapatos, gastos, se perdem, mas a poesia continua servida, nos livros que publicou. (Luiz Antonio Barreto)
Minha terna Laranjeiras
Terra das lindas palmeiras,
Adoro tudo que é teu;
Admiro os belos prados
E adoro os lindos trinados
Das aves que Deus te deu.
Adoro tua matriz
Onde a velhinha feliz
Vai rezar o seu rosário;
Amo teu belo cruzeiro
Que lá no cimo do outeiro
Nos faz lembrar o Monte Calvário.
Amo os sinos maviosos
E os teus jardins olorosos
Que te dão tanta beleza!
Amo as igrejas dos montes
Amo as tuas velhas pontes
Que fazem lembrar Veneza.
Amo a vista deslumbrante
E a brisa acariciante
Do morro do Bom Jesus;
O Serra ? velho idoso,
E o mês de doloroso
Que aos namorados seduz.
Adoro os velhos sobrados,
Onde nos tempos passados
Se cultivava o lirismo;
E os bancos da conceição
Onde sentou-se a paixão
No tempo do romantismo.
Adoro a Rua Direita,
Porque quanto mais se ajeita
Fica bem mais sinuosa;
E o Alto do Xavier
Que mostra pra quem quiser,
O quanto és majestosa!
Minh?alma também é louca
Por ti, cidade barroca,
Residência do saber;
Terra de João Ribeiro,
Meu amor é verdadeiro
E te adoro até morrer
Poema dedicado à Cidade de Laranjeiras