A solenidade, presidida pela vice-presidente da mesa diretora da Casa, deputada estadual Angélica Guimarães (PSC), contou com a participação de diversos parlamentares estaduais e também do deputado federal Iran Barbosa (PT), além de familiares e amigos que prestigiaram as homenageadas. Durante a sessão especial, o coral da Assembleia Legislativa se apresentou.
A saudação às homenageadas, em nome de todos os deputados, foi feita pela deputada estadual Ana Lucia (PT), que fez um relato da história da deputada Quintina Diniz, parlamentar sergipana que dá nome à condecoração. "Caminhos distintos trilharam as seis mulheres ora aqui homenageadas. Elas vão receber uma comenda que tanto orgulha a Assembléia Legislativa de Sergipe, pois a medalha Quintina Diniz é a síntese genuína do reconhecimento às mulheres que destacadamente promovem a pessoa humana e contribuem para que a nossa sociedade sergipana possa ser mais justa e fraterna", disse Ana Lucia.
Mulher pioneira, Quintina Diniz foi a primeira deputada estadual constituinte eleita, em 1934, aos 57 anos. A medalha foi criada para homenagear as mulheres neste dia dedicado a elas, no ano de 2007, através de um projeto de resolução de autoria da deputada Susana Azevedo (PSC). Em seu discurso, a deputada Ana Lucia fez um relato histórico do surgimento do dia 8 de março como Dia Internacional da Mulher. A trajetória de vida de cada uma das seis homenageadas e suas realizações que tanto contribuíram para o engrandecimento do Estado também foram citados pela deputada Ana Lucia.
Homenageadas
Ela iniciou falando sobre a lagartense Josefa de Lourdes Santos Pacheco, que tem devotado a vida à promoção da mulher e a salvar vidas através da Pastoral da Criança. Para a deputada, foi na vivência como docente que a professora Udinha, como a Josefa é carinhosamente chamada, foi impulsionada a dedicar-se à organização comunitária das mulheres da Colônia 13, tendo formado, inclusive, o Clube de Mães Santa Luzia, no município de Lagarto.
Sobre a homenageada Maria Lídia Soares, a deputada Ana Lucia destacou o trabalho médico e humanista realizado, que ao longo de sua vida tem se dedicado a salvar vidas, a resgatar os que já perderam a esperança. "Os que a conhecem testemunham que nenhum doente com câncer que cruzou o seu caminho ficou sem assistência ou sem um encaminhamento para um procedimento médico ou sem uma palavra de carinho reconfortante frente ao momento de dor e angústia pelo qual está passando", revelou.
Ela acrescentou que as crianças e adolescentes em situação de risco e vulnerabilidade social sempre foram a preocupação da Maria Lídia, o que foi determinante para que ela tenha hoje 24 filhos adotivos. "O seu exemplo é contagiante e isso se reflete na rede de solidariedade por ela articulada para atender alcoólatras e pacientes com câncer ou lepra", completou.
O trabalho devotado à causa da reforma agrária e a defesa incessante pelos direitos dos camponeses, desde 1973, foram os motivos que levaram a sindicalista e líder dos trabalhadores rurais de Nossa Senhora do Socorro Gedalva Fonseca Santos a ser condecorada com a Medalha Quintina Diniz. "Nem a injusta prisão ocorrida em 1986 a faz esmorecer e a abandonar essa luta em defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais", lembrou a deputada Ana Lucia, acrescentando que a militância no movimento sindical dos trabalhadores rurais foi determinante para que Gedalva assumisse a função de membro da diretoria da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Sergipe (Fetase).
Durante seu pronunciamento, Ana Lucia ressaltou também a trajetória da missionária leiga romana Enrica Minini, que desde 1966 está em Sergipe. Na condição de agente das pastorais da Arquidiocese de Aracaju, ela sempre atuou na defesa e promoção dos mais pobres. Entre os camponeses, atuou em cooperativas colonização que contribuíram com a história da reforma agrária em Sergipe, através do conhecido Projeto Promoção do Homem do Campo.
"O seu jeito discreto, humilde, respeitoso e acolhedor imprimiram marca às pastorais sociais da igreja católica em Aracaju. Enrica é uma mulher que dialoga com as lideranças dos movimentos sociais, que é parceira das lutas dos oprimidos e que faz da esperança o combustível propulsor que alimenta todos os acreditam na construção de uma sociedade fundada nos princípios da justiça, da igualdade e da fraternidade", frisou a deputada.
Defesa da sociedade
Sobre a promotora de Justiça Euza Missano, a deputada Ana Lucia em seu discurso de saudação às homenageadas ressaltou o seu trabalho corajoso e hábil no trato de problemas complexos, sempre sensível aos problemas do povo. "É, sem sombra de dúvida, uma das maiores aliadas da sociedade civil sergipana na luta pelo respeito ao estado democrático de direito e tem agido eficazmente para que a legislação seja cumprida ou para coibir os flagrantes desrespeitos aos direitos dos cidadãos. A sua perene ação no Ministério Público angariou nos últimos anos credibilidade e respeito de todo o Povo de Sergipe", destacou.
A deputada encerrou o relato das homenageadas visivelmente emocionada ao falar da economista Elda Lima de Araújo Góis, que, como ela disse, é "uma mulher que sempre deixou a todos perplexos, pois sempre esteve à frente do seu tempo". Em seu discurso, Ana Lucia falou sobre a trajetória de Elda Lima durante os anos de chumbo da ditadura militar e sua luta para livrar amigos e colegas do período de repressão.
Sobre a vida profissional a parlamentar citou sua passagem pela Secretaria de Estado da Agricultura, nas hoje já extintas Sudap e Comase, no Condese, no ITPS, na Prefeitura de Aracaju, Secretaria de Estado da Educação, na Secretaria Municipal de Educação de Aracaju e, nos últimos 15 anos, no Sintese.
"Como funcionária pública, Elda sempre combateu os que acreditam que o trabalhos dos técnicos é imbuído por uma falsa neutralidade, sempre defendeu que os servidores precisam ser comprometidos com o serviço que prestam a população, além de ser militado em defesa dos direitos trabalhistas no funcionalismo. Elda sempre soube lidar e conviver com as perseguições políticas, pois sempre soube que tudo que enfrentava era uma consequência das suas opções políticas", afirmou.
No entanto, assim como Quintina Diniz, lembrou a deputada Ana Lucia, foi na Assembléia Constituinte que o nome de Elda Góis entrou para os anais do Poder Legislativo Sergipano. Na época ela era assessora dos deputados Marcelo Déda e Marcelo Ribeiro, mas acabou prestando assessoria a todos os deputados constituintes. Na sessão de encerramento dos trabalhos da Assembléia Constituinte e de promulgação da Carta Magna Estadual, o então presidente da Assembléia Legislativa, o deputado Guido Azevedo, fez questão de que fosse registrada na ata a inestimável contribuição de Elda Góis no processo de elaboração da nova Constituição Estadual, tendo sido o seu trabalho reconhecido por todos os deputados.
"Os anais da Assembléia Legislativa de Sergipe dedicam a essa mulher única e singular a sua extraordinária contribuição a elaboração da nossa Constituição Estadual, para a democracia e a sua incansável luta em defesa dos direitos humanos e da classe trabalhadora", finalizou Ana Lucia, acrescentando que em nome dela homenageava todas as mulheres sergipanas.